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Tribunal indiano absolve bispo acusado de violar freira

Numa pequena nota, o juiz G. Gopakumar disse que o bispo Franco Mulakkal não era culpado.

O sacerdote esteve presente na audiência em Kottayam (cidade do sul da Índia). Os apoiantes aplaudiram e gritaram “Louvado Seja o Senhor”, quando Franco Mulakkal saiu do tribunal.

A procuradoria-geral, que representa a freira, vai recorrer da decisão, disse a advogada Sandhya Raju.

A polícia acusou Mulakkal de violação sexual, confinamento ilegal e intimidação da freira.

Um grupo de freiras terá lançado protestos público sem precedentes para exigir a prisão de Mulakkal em 2018. Franco Mulakkal foi detido, mas libertado sob fiança após algumas semanas.

Mulakkal era o patrono oficial da sua comunidade de freiras, as Missionárias de Jesus, exercendo enorme influência sobre os seus orçamentos e atribuições de trabalho.

O bispo negou as acusações, chamando-as de “infundadas e inventadas” e dizendo que a freira tentou pressioná-lo para conseguir um cargo melhor.

Na sua denúncia, a freira acusou Franco Mulakkal, que na época era o bispo de diocese de Jalandhar, no estado de Punjab, de violá-la várias vezes durante as suas visitas ao seu convento em Kuravilangad, no estado de Kerala.

Em fevereiro de 2019, o papa Francisco, pela primeira vez, reconheceu publicamente o abuso sexual de freiras por padres e bispos, prometendo enfrentar o problema.

Há cerca de três anos, uma investigação da agência de notícias AP denunciou uma série de abusos sexuais e violações cometidos sobre freiras na Índia durante décadas por padres que contaram com o silêncio cúmplice da hierarquia católica.

Quase duas dúzias de freiras e ex-freiras queixam-se de repetidas violações e de uma hierarquia católica que pouco fez para as proteger, ao mesmo tempo que detalham frequentes situações de assédio sexual, existindo ainda relatos de sacerdotes que afirmam terem tido conhecimento direto deste tipo de incidentes.

Ainda assim, o problema é encoberto por uma cultura do silêncio. Muitas freiras acreditam que o abuso é comum e que a maioria das ‘irmãs’ pode pelo menos dizer que se defendeu já dos avanços sexuais de um padre, enquanto algumas dizem ter a convicção de que os episódios são raros.

Quase ninguém discute o assunto abertamente e a maioria só fala na condição de não serem identificadas.

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