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Partido de direita reconhece vitória da esquerda nas Honduras

 

“Desejamos sucesso aos que venceram as eleições”, referiu o porta-voz do Partido Nacional (PN), Kilvett Bertrand, em declarações à rádio local Radio América.

O responsável assegurou que o PN continuará “a trabalhar com força e como oposição para proteger a democracia”.

“É possível ver o clima de paz e tranquilidade que existe no país, mesmo que o Partido Nacional não tenha sido eleito para chefe do Governo”, acrescentou.

Segundo os resultados parciais, com 52,07% dos votos contabilizados, a candidata de esquerda Xiomara Castro, de 62 anos, do LIBRE, venceu com 53,40% dos votos e com uma larga margem para o candidato do PN, Nasry Asfura (33,98%).

Desde o encerramento das urnas, no domingo, a contagem dos votos tem decorrido de forma lenta.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), muitos dos votos chegam em formato físico e têm de ser processados eletronicamente, enquanto uma parte chega em formato digital.

A candidata de esquerda hondurenha Xiomara Castro proclamou no domingo à noite vitória nas eleições presidenciais das Honduras, contra o delfim do Presidente de direita cessante, num país envolto em violência e corrupção ligadas ao tráfico de droga.

A participação eleitoral no país centro-americano, com 10 milhões de habitantes, assolado pela violência e pobreza, atingiu um nível “histórico” de participação superior a 60%, revelou a CNE.

A Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (MOE-EU) nas Honduras apontou na terça-feira que as eleições de domingo foram realizadas “com calma” apesar de uma administração “altamente politizada”.

“O dia das eleições decorreu calmamente e os eleitores compareceram em grande número às seções de voto, mostrando um forte compromisso com a democracia e os valores cívicos”, salientou o responsável da MOE-EU, Zeljana Zovko, durante a apresentação de um relatório preliminar.

Zeljana Zovko referiu que as eleições hondurenhas foram caracterizadas por “uma gestão altamente politizada e com níveis sem precedentes de violência política”.

E acrescentou, citado pela agência EFE, que o receio de violência “minou a oportunidade efetiva de fazer campanha em condições de igualdade e o direito à participação política de candidatos e eleitores”.

O relatório preliminar destaca também que os órgãos de comunicação do Estado “favoreceram visivelmente o PN [no poder] e o seu candidato presidencial” e que o período de reflexão, em vigor cinco dias antes, foi “amplamente ignorado mesmo durante o dia das eleições”.

Para o responsável pela delegação do Parlamento Europeu, Javier Nart, os hondurenhos “demonstraram um profundo sentido democrático e cívico” ao marcarem presença nas urnas.

“Agora é altura dos políticos colocarem as instituições ao serviço dos cidadãos para criar as oportunidades de que este país precisa e garantir um futuro mais próspero e seguro para as Honduras”, vincou.

A UE destacou, a convite do Governo das Honduras, 78 observadores e a missão ficará no país para observar o resto do processo eleitoral, sendo que o relatório final terá também recomendações para possíveis reformas em futuros processos eleitorais.

Além da escolha de um novo Presidente da República, o escrutínio destinava-se também a eleger deputados e autarcas.

O LIBRE conquistou também os municípios das duas maiores cidades do país, a capital Tegucigalpa e San Pedro Sula (nordeste).

As Honduras são há 12 anos lideradas pelo Partido Nacional, na pessoa de Juan Orlando Hernández, fortemente rejeitado por diversos setores da sociedade e acusado pelos principais líderes da oposição de corrupção e envolvimento no tráfico de droga.

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