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Programa nuclear iraniano passou "todas as linhas vermelhas", diz Israel

“O programa nuclear iraniano atingiu um ponto de viragem, o mesmo acontece com a nossa tolerância em relação a ele”, declarou na tribuna da Assembleia Geral da ONU o primeiro-ministro, que sucedeu em junho a Benjamin Netanyahu.

“Nos últimos anos, o Irão avançou bastante nas suas capacidades de investigação e desenvolvimento nuclear, de produção e enriquecimento. O programa de armas nucleares do Irão está num ponto crítico, todas as linhas vermelhas foram ultrapassadas”, acrescentou Bennett.

Segundo o primeiro-ministro de Israel, “todas as inspeções foram ignoradas” e “o Irão viola atualmente os acordos com a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA)”, sem consequências.

As declarações de Bennett, que considerou o presidente iraniano, Ebrahim Raïssi, um “carniceiro”, surgem numa altura em que as negociações entre Teerão e as grandes potências, para relançar o acordo de 2015 sobre o programa nuclear, se encontram num impasse.

Israel, que saudou a retirada dos Estados Unidos do acordo, quando Donald Trump era presidente, tem reservas quanto a um eventual novo acordo sobre o programa nuclear iraniano, que Teerão diz destinar-se a fins civis e não militares.

A AIEA chegou no passado dia 12 a um entendimento com o Irão sobre a manutenção de equipamentos de vigilância nas suas instalações nucleares, alguns dias após ter denunciado falta de cooperação nesta matéria.

Mas, no domingo, a agência lamentava ter visto negado o acesso “indispensável” a instalações em Karaj, perto de Teerão.

O presidente norte-americano, Joe Biden, afirma-se disposto a regressar ao acordo e a levantar parte das sanções que foram reintroduzidas contra o Irão por Trump, na condição de Teerão retomar os compromissos que abandonou para protestar contra a pressão dos Estados Unidos.

O embaixador do Irão na ONU, Majid Takht Ravanchi, reagiu ao discurso de Bennett, alegando, numa mensagem no Twitter, que foram afirmações “cheias de mentiras” e que Israel não pode falar do programa nuclear iraniano quando “possui centenas de ogivas nucleares”.

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