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Alemanha. Antifascistas da Saxónia "boicotam" comícios do AfD

 

“Aqui temos grandes problemas com o AfD e com estes líderes ‘fascistas’. Aqui na Alemanha temos de garantir que nada voltará a ser como em 1933, quando os fascistas (Partido Nacional Socialista) tomaram o poder, no país”, disse à Lusa Gustave, 19 anos, natural de Gorlitz.

Desde a semana passada que grupos antifascistas tentam perturbar todos os comícios do Alternativa para a Alemanha, obrigando à presença da polícia nos locais de campanha da extrema-direita.

Em Gorlitz, Saxónia, mais de meia centena de jovens tentou perturbar, na noite de quarta-feira, os discursos dos líderes do AfD que se desdobra em comícios, sobretudo no leste do país onde tem mais apoiantes.

“Nós temos de mostrar formas de resistência porque atualmente a sociedade vive adormecida, sobretudo nesta cidade que é a cidade mais oriental de toda a Alemanha”, acrescenta o mesmo jovem.

Gorlitz, cidade alemã habitada por 57 mil pessoas, está separada, pelo rio Neisse, da cidade polaca de Zgorzlec.

O autarca da cidade é um democrata-cristão da CDU, mas, em 2017, os votos alcançados pelo AfD em Gorlitz permitiram ao líder Tino Chrupalla um lugar no Bundestag (Parlamento alemão), em Berlim.

“Em toda esta região, o AfD continua a subir nas sondagens porque manipula as pessoas do leste da Alemanha. As pessoas aqui sentem-se como ‘os derrotados da história’. Aqui tivemos sempre mais problemas do que na zona ocidental do país e é, por isso, que esta região se está a afundar”, queixa-se Alfred, 20 anos, um outro estudante que participa no boicote contra a ação de campanha do AfD apontando para o local onde se encontra Tino Chrupalla.

“Aqui mostramos a nossa resistência. Os ‘fascistas’ não vão dominar as ruas. Nós estamos aqui para que as coisas do passado não voltem a acontecer. É por isso que estamos aqui”, frisa, acrescentando que os estados que faziam parte da ex-República Democrática (ex-RDA) ainda “sofrem” dos “problemas” da História.

“Depois da reunificação (da Alemanha) em 1990, muitas pessoas ficaram desempregadas. Os problemas políticos são piores aqui no leste do que no resto da Alemanha. Aqui o AfD é muito popular. Há pessoas no Afd que são abertamente racistas, antissemitas e homofóbicas”, diz Alfred.

Assim, no próximo domingo, o jovem Alfred espera que “sobretudo” o AfD venha a perder poder a nível nacional.

“A social-democracia está a crescer, e os Verdes também. Mas, nesta região o partido racista AfD vai destacar-se, a nível nacional vai conseguir 10% dos votos”, sublinha.   

A nível nacional, de acordo com as últimas sondagens publicadas na Alemanha, o AfD pode baixar dos 12,6%, que conseguiu em 2017, para 11% nas eleições de domingo, mas na Saxónia, estado do leste alemão, mantém-se como a segunda força política atrás dos democratas-cristãos da CDU.

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