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Presidente das Filipinas reconhece dificuldades da sua cruzada antidroga

 

“Quando no início eu disse que acabaria com as drogas em seis meses, pensei que seria como em Davao”, disse Rodrigo Duterte, referindo-se à cidade onde, como presidente da câmara, se destacou na luta contra o crime pela dureza das suas medidas.

Duterte, que termina o mandato em junho de 2022, reafirmou a validade da estratégia antidroga e enviou um “recado” ao Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia, que abriu uma investigação contra o Presidente filipino por alegados crimes contra a Humanidade na cruzada contra as drogas.

“O TPI pode gravá-lo: aqueles que destroem o meu país, eu mato-vos. E aqueles que destroem a juventude do meu país, eu mato-vos. Acabarei convosco porque amo o meu país. Poderíamos fazê-lo legalmente, mas levaria meses e anos”, disse Duterte, cuja cruzada terá custado a vida a milhares de pessoas.

Em 14 de junho, a procuradoria do TPI solicitou autorização judicial para investigar a guerra contra as drogas promovida por Rodrigo Duterte, por alegados crimes contra a Humanidade.

Os juízes do TPI vão investigar as acusações de que “oficiais da polícia nacional filipina, e outros que agiram em conjunto com eles, matando ilegalmente vários milhares, senão dezenas de milhares de civis”, anunciou então a procuradora Fatou Bensouda.

No pedido de investigação, de 57 páginas, a procuradoria diz ter havido “execuções extrajudiciais” no país que “parecem ter sido cometidas de acordo com uma política estatal oficial do governo filipino”.

Nas últimas semanas, muitos analistas têm afirmado que Duterte, 76 anos, poderá concorrer como vice-presidente da filha Sara nas eleições de 2022, para assim evitar responder num eventual processo do TPI em Haia.

No discurso à nação, Duterte minimizou os rumores e elogiou o senador Vicente Sotto como candidato a vice-presidente.

“Ele é um bom homem. pode tornar-se um bom vice-presidente”, afirmou.

O último ano e meio do mandato de Duterte foi ensombrado pela crise da covid-19, que provocou mais de 27 mil mortos no país, em mais de 1,5 milhões de infetados, e que ameaça ganhar novamente ímpeto com o aparecimento da variante delta e o medo de vacinas entre uma grande parte dos 110 milhões de filipinos.

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