Início Notícias Falta de água. PR do Irão reconhece direito à manifestação

Falta de água. PR do Irão reconhece direito à manifestação

 

A população do Cuzistão tem “o direito de falar, de se expressar, de protestar e até mesmo de ir para as ruas dentro das normas regulamentadas”, declarou Hassan Rohani (figura da ala moderada), que deixará o cargo presidencial em agosto, num discurso transmitido pela televisão estatal.

A província do Cuzistão, região que detém as principais reservas do petróleo iraniano, está a ser atingida desde final de março por uma grave seca, situação que gerou protestos e momentos de tensão em várias cidades desde a semana passada.

As declarações de Rohani foram feitas depois dos ‘media’ e das autoridades iranianas terem confirmado a morte de pelo menos três pessoas nos protestos, incluindo um polícia e um manifestante.

“É possível que uma pessoa mal-intencionada possa ter abusado da situação, ter entrado no meio (dos protestos) e ter usado uma arma, disparando e matando um dos nossos queridos [concidadãos]”, disse Rohani, sem aprofundar mais o assunto.

Responsáveis locais acusaram “oportunistas” e “desordeiros” de terem aberto fogo contra os manifestantes e as forças policiais.

Nos últimos dias, os ‘media’ em língua persa editados a partir do estrangeiro têm relatado que as manifestações ocorridas nesta província têm sido reprimidas pela polícia. Já a imprensa local mostrou-se, inicialmente, quase indiferente aos protestos.

Vídeos publicados pelos ‘media’ persas no estrangeiro e nas redes sociais, cuja autenticidade a agência France-Presse (AFP) não conseguiu verificar, mostram centenas de pessoas a manifestarem-se, rodeadas por unidades da polícia antimotim.

“Se existe um problema, peço (ao povo de Cuzistão) para resolvê-lo dentro de toda a legalidade”, disse Rohani.

A população da província do Cuzistão, zona habitada por uma grande minoria árabe, queixa-se frequentemente de ser esquecida pelas autoridades iranianas.

Esta província foi um dos ‘pontos quentes’ da vaga de protestos antigovernamentais que ocorreu no Irão em novembro de 2019 e que foi violentamente reprimida pelo regime de Teerão.

Citado hoje nas agências internacionais, o secretário-geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, o almirante Ali Chamkhani, divulgou, através da rede social Twitter, que “as forças de segurança receberam ordens para libertar imediatamente as pessoas detidas durante os recentes incidentes no Cuzistão, que não cometeram qualquer ato criminoso”.

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