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Mais de dois milhões de britânicos podem ter sofrido sintomas prolongados

Cerca de um terço dos inquiridos no estudo ‘React’ que tiveram sintomas de covid-19 tiveram pelo menos um dos sintomas por pelo menos 12 semanas.

Os investigadores admitem que lidar com as consequências a longo prazo da covid-19 é um “enorme desafio” e o Governo britânico já destinou 50 milhões de libras (mais de 58 milhões de euros) para a investigação aos sintomas prolongados de covid-19.

A covid-19 prolongada é um uma consequência em crescimento e ainda não completamente compreendida, abrangendo um vasto conjunto de sintomas, entre os quais fadiga, tosse, dores no peito, dores de cabeça e dores musculares.

O estudo, que decorreu entre setembro de 2020 e fevereiro de 2021, uma amostra aleatória de pessoas foi questionada sobre se teve covid-19 e sobre quanto tempo duraram os sintomas, numa lista de 29.

Cerca de 37% das pessoas que disseram ter tido covid-19 disseram também que um dos sintomas durou pelo menos 12 semanas; 15% disseram que tiveram três ou mais sintomas durante pelo menos 12 semanas.

Problemas a longo prazo foram mais frequentemente reportados por mulheres, sobretudo mais velhas e características como excesso de peso, ser fumador, ter baixos rendimentos, ter uma doença crónica e ter sido hospitalizado foram associadas a uma maior probabilidade de ter sintomas prolongados.

Cansaço foi referido como um dos sintomas mais comuns e entre as pessoas que desenvolveram a doença numa forma grave a falta de ar é um sintoma prolongando dominante.

Os investigadores admitem não ter comparado os dados com os respeitantes a pessoas que não tenham tido covid-19, sendo que estes sintomas podem ser associados a outras doenças e admitem também que são necessários mais estudos sobre a matéria.

Apesar das limitações, o professor Paul Elliott, diretor do programa React do Imperial College de Londres, disse à BBC que os resultados revelam um quadro preocupante sobre as consequências a longo prazo na saúde da infeção pelo novo coronavírus.

“A covid-19 prolongada é ainda pouco compreendida, mas esperamos que através da nossa investigação possamos contribuir para uma melhor identificação e gestão desta condição, que os nossos dados sugerem poder afetar só no Reino Unido milhões de pessoas”, acrescentou.

Outro estudo, da University College London e da King’s College London, demonstrou que uma em cada seis pessoas de meia-idade que disseram ter tido covid-19 reportaram sintomas de longa duração.

A proporção cai para uma pessoa em cada 13 se o universo em análise for o dos jovens adultos.

O Serviço Nacional de Saúde britânico abriu mais de 80 serviços de avaliação para esta condição em toda a Inglaterra.

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