Início Tecnologia "Os sorteios atraem seguidores que só querem ganhar coisas de graça"

"Os sorteios atraem seguidores que só querem ganhar coisas de graça"

‘Instagram, WhatsApp e Facebook Para Negócios’ é o novo livro lançado pelo especialista em marketing digital Luciano Larrossa. Este é um projeto que pretende ensinar ao leitor algo fundamental para todas as empresas atualmente: vender através da Internet. 

Estivemos à conversa com o autor, que já conta com a gestão de mais de 2 milhões de euros em anúncios para os seus clientes e centenas de alunos nos seus cursos.

Enquanto professor, quais as maiores dúvidas dos seus alunos em relação às redes sociais? Consegue eleger o grande ‘bicho papão’?

Eu diria que é eliminar o hábito de considerar que seguidores e gostos são sinónimo de vendas. Todos eles entram com a ideia de que se tiverem mais seguidores ou mais interação nos conteúdos terão mais vendas. Engano geral. Não existe uma relação direta entre isso e mais vendas.

Qual o maior desafio para as marcas neste momento em termos de redes sociais?

Eu diria que a maioria dos negócios precisa de aprender que é necessário existir um investimento mensal em anúncios. Enquanto nos Estados Unidos a questão é como melhorar a estratégia de vendas ou como criar vários produtos que se complementem, em Portugal ainda estamos na fase de ter que convencer as pessoas de que anunciar é importante e sem isso eles não conseguem vender. 

E quais os maiores erros que percebe quando faz ‘scroll’ pelas redes?

A falta de personalidade das marcas, principalmente as profissionais. É importante marcar posição sobre algumas coisas. Como vejo o mundo? Como acho que ele deveria ser? Como são as causas que defendo? Eu, por exemplo, sou uma pessoa tímida, organizada e que acredita que a consistência é a chave para tudo. Quem for desorganizado ou que acha que existe forma rápida e fácil de ganhar dinheiro, já não se identifica comigo, por exemplo. Entender que uma marca deve ter a sua tribo faz uma grande diferença.

Porque é que os sorteios são mais negativos do que positivos para as marcas?

Porque atraem pessoas [seguidores] que só querem ganhar coisas de graça. E pior: atraem os seus semelhantes. É uma bola de neve. Atrair pessoas que só querem coisas de graça só atrai outras pessoas assim. E depois quando se tenta vender algo, ninguém quer. E ainda reclamam que está à venda. E a sua conta na rede social está lá, repleta de seguidores ou seguidoras vazios, que não servem para nada. 

O que é vender sem vender?

É criar conteúdo. É ajudar as pessoas e fazer com que elas gostem tanto de consumir o seu conteúdo a ponto de quererem comprar algo seu. É o que estou a fazer aqui: através desta entrevista, se gostar do meu conteúdo, vai acabar por comprar o livro. E em nenhum momento precisei de vender o livro. Não fiquei a implorar: por favor compre o meu livro. Precisei de dar conteúdo que foi do seu agrado, que se identificou e isso acaba por despertar o desejo de compra. 

Afirma que o WhatsApp é uma das ferramentas que mais vendas traz, mas em Portugal ainda não é muito comum a sua utilização. Como se processa?

Não diria que ele é pouco comum. Inclusive após ver a sua pergunta fui ver se existiam estudos sobre a utilização do WhatsApp em Portugal, mas infelizmente não temos dados que confirmem ou desmintam a informação. Independente disso, acredito que seja das aplicações mais utilizadas atualmente em Portugal então por isso é sempre interessante considerá-lo um canal de vendas. Além disso, daqui para a frente, ele estará cada vez mais ligado ao Facebook e Instagram e será usado bastante para vendas entre as plataformas. 

Com o aumento do número dos chamados influenciadores digitais em todo o mundo considera que a sua relevância diminuiu, ou pelo contrário, são um mercado com potencial?

São um mercado com um potencial enorme, mas com uma barreira de entrada cada vez maior. Com a queda do alcance orgânico das redes sociais, tornar-se um influenciador ficou mais difícil. É necessário produzir mais conteúdo e com muito mais qualidade do que antes. Mas é um mercado que não vai parar de crescer. Quem soube influenciar os outros sempre se tornou relevante na história. A diferença é que agora consegue fazer isso usando um simples telemóvel

Como uma marca pode se prevenir para não ser enganada pelos ‘bots’ tão comuns entre os influenciadores digitais?

Analisar a taxa de comentários por publicações e se são comentários de pessoas verdadeiras. Se tiver uma diferença muito grande entre gostos na publicação e comentários, é hora de levantar uma bandeira amarela e analisar esse influenciador mais a fundo. 

O grau de confiança do consumidor numa determinada campanha diminui quando um influenciador é escolhido para a fazer?

Depende da campanha e do influenciador. Tudo depende da forma como é feito. Quanto menos publicidade parecer e melhor for o conteúdo, melhores serão os resultados. 

Já agora, o que é o “consumidor 4.0”?

É um consumidor que, além de procurar os valores da marca, ele também procura um atendimento igual em todos os canais de comunicação da marca. Ele quer conseguir ser atendido nos canais onde ele está e não apenas onde a marca pretende falar. Além disso, o consumidor 4.0 já tem um amplo acesso à informação. Ele, mais do que anteriormente, já chega para comprar com a informação na mão. 

O Instagram e o Facebook têm um prazo de validade ou ainda vão durar muitos anos?

Muitos anos. Não vejo nenhuma rede social que possa concorrer com eles num espaço de 2 a 3 anos. 

Como é que imagina o mercado digital daqui a 10 anos?

Com menos objetos físicos e cada vez mais digitais. Com a voz a ganhar um espaço grande. Produtos como a Alexa ou o Google Home a ficarem cada vez melhores. Conexões cada vez maiores entre aparelhos. O que faço no meu computador comunica com o meu telemóvel e com o meu relógio ou fones. Uma evolução na saúde enorme. Relógios como o Apple Watch vão ser cada vez mais importantes na prevenção e a detetarem doenças. E isso vai abrir muitas portas, especialmente na área de anúncios, programação, design e softwares.