Início Mundo Deputados russos aprovam saída da Rússia do Tratado Céus Abertos

Deputados russos aprovam saída da Rússia do Tratado Céus Abertos

 

No ano passado, sob a administração do ex-Presidente Donald Trump, os Estados Unidos abandonaram o acordo.

Na Rússia, o Conselho da Federação (Senado) deve renunciar ao tratado no próximo dia 02 de junho, o que significa que o país deixa de pertencer à aliança no próximo mês de dezembro, disse hoje o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Riabkov.

Os deputados na Duma ratificaram a renúncia ao tratado depois de o Presidente, Vladimir Putin, ter apresentado no passado dia 11 de maio, na Duma, o projeto de lei para sair do acordo.

A intenção da Rússia foi comunicada em janeiro, na sequência da saída dos Estados Unidos e pela “falta de progressos no momento de se eliminarem os obstáculos para a preservação do tratado sob novas condições”.

Na altura, a diplomacia russa explicou que a retirada dos Estados Unidos foi anunciada “sob um pretexto artificial”, ao acusar a Rússia de ter violado o acordo e afetando o equilíbrio dos interesses dos restantes países membros, atingindo “gravemente” o funcionamento do tratado.

O acordo, em vigor desde 2002, permite aos Estados-membros sobrevoarem qualquer parte dos territórios dos outros países que integram o acordo e fotografarem o solo (desde Vancouver, nos Estados Unidos, a Vladivostoque, na Rússia) para se assegurarem de que vizinhos e rivais não preparam ataques militares. 

Moscovo tentou salvar o acordo em várias reuniões em Viena com os restantes parceiros e propôs medidas específicas para permanecer no acordo sob a condição de os restantes membros cumprirem os preceitos estabelecidos. 

No essencial, a Rússia queria assegurar-se de que as informações recolhidas nos voos de observação sobre os territórios dos estados-membros não seriam transmitidas às autoridades norte-americanas. 

Moscovo também pretendia receber, por escrito, garantias nesse sentido, o que não se veio a verificar. 

A administração de Donald Trump anunciou em maio de 2020 a retirada dos Estados Unidos do pacto, o que se efetivou no passado mês de novembro.

Os Estados Unidos justificaram a saída do acordo afirmando que a Rússia não permitia a supervisão aérea dos exercícios militares ao não permitir voos sobre regiões onde se acredita estarem instaladas armas nucleares que podem alcançar a Europa ocidental.

De acordo com Washington, as armas podem estar instaladas no enclave de Kaliningrado, entre a Lituânia e a Polónia, e em zonas próximas das regiões separatistas da Abecásia e Ossétia do Sul.

A Rússia negou violações ao tratado e acusou os Estados Unidos de falta de cumprimento.

Mesmo assim, Riabkov disse hoje que os Estados Unidos ainda têm tempo para reconsideraram posições antes de a Rússia renunciar ao acordo, apesar de considerar “pouco provável” o regresso de Washington ao pacto internacional.

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