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Vacinas? António Costa fala em "apoio grande" para "produzir" em África

António Costa, que se encontra em Paris, França, fez uma declaração aos jornalistas após o encontro com o Presidente da República angolano, João Lourenço, onde ressalvou os dois dias “intensos” de trabalhos no âmbito da cimeira: “Em matéria de vacinação, algo que é muito importante, é que para além de continuarmos a assegurar o fornecimento de vacinas por via do mecanismo Covax, vai ser feito um apoio grande para que, muito brevemente, seja possível produzir no continente africano, e a partir da África do Sul, vacinas que possam aumentar a capacidade mundial de produção.”

O primeiro-ministro apontou este facto como “o bloqueio fundamental” e, para além “do esforço que a Europa está a fazer para incrementar a produção de vacinas, a África vai-nos acompanhar e, muito brevemente, a partir da África do Sul, vai ter a capacidade de produzir também em larga escala” vacinas anti-Covid. 

Esta será, as palavras do chefe do Governo nacional, uma infraestrutura “muito importante” e que ficará “também para o futuro”, uma vez que “depois desta pandemia, outras podem vir” e há ainda “um conjunto de doenças que requerem essa capacidade de vacinação”. 

O trabalho “conjunto” para dotar África da capacidade de vacinação “é muito importante”, reiterou António Costa, que falou ainda, na mesma ocasião, do “financiamento à recuperação da economia”

“Por um lado, temos a esperança de ainda na presidência portuguesa [da União Europeia] poder ser aprovado o programa ‘Europa Global’ que prevê 80 mil milhões de euros de financiamento para a cooperação e desenvolvimento”, sendo que “pelo menos 30 mil milhões têm que ser dedicados à África Subsaariana”. 

António Costa destacou, em terceiro lugar, que foi ainda desenvolvido um trabalho “quer com o Banco Mundial, quer com o FMI” com vista à reestruturação da dívida de alguns países africanos e com a possibilidade de “haver um aumento dos direitos de saque especial com o compromisso dos países da UE de procurarem, entre si, contribuírem com parte dos direitos a que têm direito e que não vão utilizar, para poderem transferir para o financiamento das economias africanas”

Isto dá um “impulso muito grande” ao financiamento e capacidade de reconstrução do continente africano “também nesta fase pós-Covid”, considerou o primeiro-ministro. 

Na manhã de terça-feira, recorde-se, António Costa encontrou-se bilateralmente com Filipe Nyusi, com o Presidente do Egito, Abdul Fatah as-Sisi, com o Presidente tunisino, Kais Saled, e com o chefe de Estado do Ruanda, Paul Kagame.

A Cimeira sobre o Financiamento das Economias Africanas surgiu na sequência da divulgação de um pedido de apoio dos líderes africanos, a 15 de abril do ano passado, no Financial Times e no Jeune Afrique, afetados não só pelo impacto da pandemia na saúde dos cidadãos, mas também na economia, que viu as debilidades já existentes agravadas pelas medidas de restrição necessárias para impedir a propagação do vírus.

[Notícia atualizada às 19h45]

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