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Embaixador palestiniano diz que silêncio da ONU é vergonhoso

 

“Todos dizem algo e a instituição responsável pela manutenção da paz e segurança internacionais reuniu-se três vezes em sessões de emergência e não foi autorizada a emitir uma posição apelando a um cessar-fogo e a pôr fim a esta agressão contra o povo palestiniano”, lamentou Riyad Mansur numa conferência de imprensa.

O diplomata falava aos jornalistas enquanto o Conselho de Segurança da ONU se voltava a reunir, à porta fechada, sobre a situação do Médio Oriente, com os Estados Unidos a oporem-se a uma declaração apelando à cessação das hostilidades.

O embaixador chinês, Zhang Jun, que este mês preside ao conselho de segurança, escreveu na rede social Twitter, após a reunião, que, embora o órgão ainda não tenha “falado a uma só voz”, a posição da “esmagadora maioria (dos membros) é clara”.

“Apelo a todos os membros para que se juntem aos esforços coletivos para um cessar-fogo e a proteção dos civis”, disse o representante chinês, sem mencionar diretamente os Estados Unidos.

Desde a semana passada, a China, a Noruega e a Tunísia têm procurado a adoção de uma declaração no Conselho de Segurança, um texto que, de momento, continua a ser travado pelos Estados Unidos, que argumentam que não seria útil, enquanto os esforços diplomáticos para tentar travar os combates continuarem.

A Casa Branca insistiu hoje na necessidade de deixar a diplomacia trabalhar “silenciosamente” e “intensivamente” para alcançar o “fim da violência”, no meio da escalada entre Israel e os palestinianos em Gaza, que se prolonga há mais de uma semana.

Isto apesar de, na segunda-feira, o Presidente norte-americano, Joe Biden, se ter posicionado publicamente pela primeira vez a favor de um cessar-fogo, após ter recebido pressões dos seus correligionários democratas e de outros países para desempenhar um papel mais ativo na crise do Médio Oriente.

Dada a inação do Conselho de Segurança, os países árabes insistiram na convocação de uma reunião plenária da Assembleia Geral, na próxima quinta-feira, na qual se espera a participação, entre outros, do secretário-geral da organização, António Guterres.

A Palestina instou hoje Guterres a fornecer ajuda humanitária de emergência a Gaza o mais rapidamente possível.

Segundo a ONU, mais de 58.000 pessoas foram deslocadas pela violência em Gaza e cerca de 47.000 delas refugiaram-se em escolas da agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA).

O porta-voz da organização internacional, Stephane Dujarric, disse aos jornalistas que, enquanto a situação de segurança o permitir, a ONU e os seus parceiros fornecerão alimentos e outros bens básicos às famílias deslocadas, bem como assistência económica imediata.

Dujarric observou que a decisão israelita de abrir o acesso a Gaza, através de Kerem Shalom, permitiu que dezenas de camiões com combustível para a UNRWA chegassem à faixa, mas disse que outros materiais humanitários essenciais não eram autorizados a entrar.

“O acesso humanitário, dentro e fora de Gaza, para o pessoal e materiais, deve ser sustentado e devem ser tomadas medidas apropriadas para assegurar um movimento seguro dentro de Gaza”, disse o porta-voz da ONU.

Os combates entre Israel e os palestinianos na Faixa de Gaza, que já causaram mais de 200 mortos, começaram em 10 de maio, após semanas de tensão entre israelitas e palestinianos em Jerusalém Oriental, que culminaram com confrontos na Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar sagrado do islão junto ao local mais sagrado do judaísmo.

Ao lançamento maciço de foguetes por grupos armados em Gaza em direção a Israel opõe-se o bombardeamento sistemático por forças israelitas contra a Faixa de Gaza.

O conflito israelo-palestiniano remonta à fundação do Estado de Israel, cuja independência foi proclamada em 14 de maio de 1948.

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