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Lukashenko autoriza polícia a usar armas para dispersar manifestantes

O documento, que inclui emendas às leis que regulam o funcionamento dos órgãos do Ministério do Interior e demais forças da ordem ou militares, estabelece as “condições e limites” do uso da força física, meios especiais, armas e equipamentos militares.

De acordo com a norma, os agentes – que a partir de agora poderão utilizar armas de combate e equipamentos especiais para “acabar com os distúrbios de massa” – não serão processados pelos danos causados pelo uso da força se for aplicada dentro dos limites previstos na lei.

Além disso, a nova lei permite que a polícia proíba a gravação de vídeos e tire fotos durante o seu trabalho, mas os agentes poderão gravar áudio e vídeo da população como parte das suas atividades.

O Presidente bielorrusso, que ordenou a repressão violenta dos protestos contra a fraude nas eleições presidenciais de 2020, tenta com esta lei impedir o regresso às ruas das manifestações pacíficas da oposição.

No final de abril, a líder da oposição bielorrussa no exílio, Svetlana Tikhanovskaya, concluiu que, apesar de os protestos terem perdido intensidade, a repressão governamental aumentou.

“Embora as manifestações tenham desaparecido das ruas, porque foram reprimidas, as pessoas continuam a sofrer e, a cada mês que passa, cerca de mil pessoas são presas (…). A situação é pior do que antes”, denunciou Tikhanovskaya, durante uma conferência de imprensa virtual.

A líder da oposição participou em agosto passado nas eleições presidenciais que, segundo a contagem oficial, Lukashenko, que lidera o país desde 1994, ganhou com 80% dos votos.

A oposição apresentou denúncias de fraude eleitoral e, durante semanas, multiplicaram-se as manifestações pedindo a demissão do Presidente, que foram respondidos pelo Governo com dura repressão.

A União Europeia e os Estados Unidos impuseram sanções ao regime de Lukashenko por fraude e repressão eleitoral.

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