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Greve paralisou bancos e serviços públicos no Mali

A União Nacional dos Trabalhadores Malianos, sindicato de funcionários públicos e empregados do setor privado, iniciou hoje uma greve de quatro dias, após negociações com o Governo sobre salários, bónus e subsídios terem fracassado.

O sindicato ameaça com uma paralisação ilimitada.

“A greve é amplamente seguida pelos bancos, tesouro, alfândegas e impostos”, disse um funcionário sindical, Ousmane Traore, citado pela agência France-Presse.

“Em todas as regiões do Mali e em Bamako, a administração está paralisada”, acrescentou.

A mobilização social surge numa altura em que cresce a tensão política, num país que foi palco de um golpe militar há nove meses.

Os militares instalaram uma autoridade de transição, que continuam a dominar, e deverão entregar o poder a civis eleitos no início de 2022.

Confrontado com protestos crescentes, o primeiro-ministro apoiado pelos militares, Moctar Ouane, apresentou na sexta-feira a demissão do seu Governo. O Presidente de transição Bah Ndaw reconduziu-o imediatamente e pediu-lhe que formasse um Governo inclusivo.

A manutenção de Moctar Ouane no seu posto está a provocar indignação.

O Movimento 05 de junho, que no ano passado liderou meses de protestos que terminaram com o golpe de agosto, expressou a sua recusa em participar na formação de um novo Governo.

Os analistas dizem que a incerteza sobre o lugar que o Governo vai dar aos militares é o principal motivo de tensão.

O clima é preocupante para a comunidade internacional, com a dimensão dos desafios e o pouco tempo que resta para a realização de eleições em fevereiro de 2022, como previsto.

Uma delegação da Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e da Missão das Nações Unidas no Mali (Minusma) reuniu-se hoje com o sindicato, a quem pediu que suspendesse a greve até à formação de um novo Governo, segundo informou Ousmane Traore.

“Dissemos-lhes que o Governo foi dissolvido no meio das negociações. Portanto, não podemos parar a greve”, disse.

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