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Ministro do Paquistão recomenda ilegalização de partido islamita

Saad Rizvi, um clérigo islamita, tinha ameaçado com protestos caso as autoridades não expulsassem o embaixador de França devido à polémica em torno das caricaturas do profeta Maomé.

O anúncio do ministro do Interior Sheikh Rashid Ahmad surgiu após as forças de segurança paquistanesas terem dispersado com bastões e gás lacrimogéneo protestos islamitas na capital Islamabad e em outras regiões do país.

A ação repressiva da polícia e de forças paramilitares surgiu na sequência da morte de cinco pessoas, incluindo dois polícias, durante confrontos na terça-feira.

Ahmad referiu que dois polícias foram mortos e 340 feridos durante os confrontos, mas não referiu as baixas entre os manifestantes.

A polícia tinha anunciado previamente a morte de três islamitas.

A proposta para a ilegalização do partido Tehreek-e-Labiak (TLP) surgiu dois dias após os manifestantes terem bloqueado estradas e autoestradas em diversas zonas do país para denunciar a prisão na segunda-feira do seu líder.

Rizvi, 26 anos e líder do TLP, tinha emitido um ultimato ao Governo para que expulsasse o diplomata francês Marc Barety antes de 20 de abril, devido à publicação em França de caricaturas do profeta do Islão.

O partido islamita afirma que o executivo de Islamabad aceitou em novembro os pedidos para a expulsão do embaixador francês e o corte das relações bilaterais com a França, mas não cumpriu o acordo.

No entanto, o Governo do primeiro-ministro Imran Khan insiste que apenas se comprometeu em discutir o tema no parlamento.

Rizvi afirmou-se como líder do TLP em novembro após a súbita morte de seu pai, Khadim Hussein Rizvi.

O seu partido pretende que o Governo boicote os produtos franceses e expulse o embaixador francês no âmbito de um acordo assinado pelo Governo com o partido de Rizvi em fevereiro.

O Tehreek-e-Labiak e outros partidos islamitas denunciam desde outubro passado o Presidente francês Emmanuel Macron, ao referirem que tentou defender as caricaturas do profeta Maomé com o argumento da “liberdade de expressão”.

Os comentários de Macron surgiram após a decapitação de um professor francês, que durante uma aula mostrou aos seus alunos as controversas caricaturas do profeta Maomé.

As imagens foram republicadas pela revista satírica Charlie Hebdo para assinalar o início do julgamento do mortífero ataque de 2015 contra a publicação, que tinha previamente divulgado as caricaturas originais, consideradas uma “blasfémia” e que suscitaram protestos em diversas regiões do mundo muçulmano.

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