Início Mundo Egito liberta dois jornalistas presos por "terrorismo" sem julgamento

Egito liberta dois jornalistas presos por "terrorismo" sem julgamento

 

O casal, o fotojornalista Hossam El-Sayed e a sua mulher, Solafa Magdy, jornalista ‘freelance’, foram libertados durante a noite de terça-feira para hoje, um dia depois de o jornalista de oposição ao regime Khaled Dawood, ter sido também libertado e de o Conselho dos Direitos Humanos da ONU ter exigido que o Egito libertasse os jornalistas e defensores dos direitos humanos mantidos em prisão preventiva.

“Os nossos agradecimentos ao Ministério Público, às autoridades judiciárias e a todas as autoridades competentes pela libertação dos colegas Solafa Magdy e Hossam El-Sayed”, escreveu hoje a presidente do sindicato dos jornalistas francês, Diaa Rashwan, numa mensagem publicada no Facebook.

O casal foi detido em novembro de 2019, num café do Cairo, tendo as autoridades de segurança egípcias alegado que os dois tinham aderido a um “grupo terrorista”, mas sem esclarecer quaisquer pormenores.

Solafa Magdy foi também acusada de divulgar informações falsas e mantida na prisão, apesar dos pedidos frequentes da coligação internacional de meios de comunicação em defesa da liberdade de imprensa.

Esta organização — a One Free Press Coalition, no nome original – divulgou uma lista de casos prioritários de jornalistas ameaçados, na qual refere que a ‘freelance’ egípcia Solafa Magdy deveria ser imediatamente libertada, já que a sua saúde estava em rápida deterioração, situação agravada por negligência médica e abusos sofridos na prisão.

A libertação do casal de jornalistas aconteceu um dia depois do jornalista Khaled Dawood, preso no final de setembro de 2019, ter recebido autorização para partir.

Jornalista do al-Ahram Weekly, líder do partido de oposição Al-Dostour e professor associado da prestigiada Universidade Americana do Cairo, Khaled Dawood foi detido poucos dias após se terem realizado protestos contra o regime, em 2019.

Dawood foi acusado de “colaborar com uma organização terrorista”, de “divulgar informações falsas” e de “ter feito mau uso das redes sociais”, acusações frequentemente utilizadas pelas autoridades egípcias contra a oposição.

Desde a destituição do Presidente islâmico Mohamed Morsi pelo exército, em 2013, e a chegada ao poder, no ano seguinte, de Abdel Fattah al-Sissi, uma repressão crescente atingiu todas as formas de dissidência, tanto islâmicas como liberais.

O país ocupa a 166ª posição entre os 180 Estados referidos na lista de liberdade de imprensa relativa a 2020 pela organização Repórteres Sem Fronteiras e, de acordo com várias organizações humanitárias, contabiliza 60.000 presos de consciência.

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