Início Mundo NATO pede colaboração da Índia diante do crescimento militar da China

NATO pede colaboração da Índia diante do crescimento militar da China

 

“Devemos ter clareza sobre os desafios que acompanham a ascensão da China. A China está a combinar o seu poder militar com seu poder económico e triplicou os seus gastos militares na última década”, disse Stoltenberg numa videoconferência durante o evento “Diálogos de Raisina”, um fórum político e económico anual organizado pelo Governo indiano, em Nova Deli.

O secretário-geral da NATO denunciou os “passos cada vez mais fortes” de Pequim “para desafiar a ordem internacional”, bem como a “perseguição de minorias étnicas e religiosas como os uigures, a supressão dos direitos humanos em Hong Kong” ou o uso de “tecnologias avançadas para monitorar e controlar a sua própria população”.

Diante do que a Aliança Atlântica considera uma ameaça à segurança dos seus membros por parte da China, Stoltenberg elogiou o “potencial real” para “aumentar o diálogo” com a Índia.

“Há um grande potencial para a NATO trabalhar com a Índia de maneiras diferentes (…) sem integrar a cooperação militar. Existem muitas maneiras de trabalhar em conjunto, que não envolvem diretamente, eu diria, operações e missões militares”, disse Stoltenberg.

As relações entre Índia e China estão abaladas devido uma disputa de fronteira nos Himalaias, que em junho passado experimentou a pior escalada militar em décadas, com confrontos que resultaram na morte de pelo menos 20 soldados indianos e quatro chineses.

Nova Deli tem fortalecido as suas relações com países como os Estados Unidos nos últimos anos, que cada vez mais veem o país asiático como um aliado fundamental diante das intenções expansionistas da China na região.

Nesse sentido, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, destacou no final de março passado a “força” da relação de defesa entre as duas nações.

A viagem de Austin foi a primeira de alto nível ao país asiático desde a eleição de Joe Biden como Presidente dos Estados Unidos e ocorreu uma semana depois do primeiro encontro na história entre os líderes do chamado “Quad”, uma aliança entre os Estados Unidos, Índia, Japão e Austrália, criada em 2007 em resposta ao ‘boom’ militar de Pequim.

A Índia também intensificou as suas relações com outros membros da NATO, como a França, com eventos como este mês, em que Nova Deli participou junto com Estados Unidos, Japão e Austrália num exercício naval organizado pela marinha francesa na baía de Bengala.

Mas, historicamente, a Índia manteve-se distante da NATO, devido à postura de não alinhamento durante a Guerra Fria, e hoje Nova Deli mantém importantes laços de defesa com Moscovo, o seu principal fornecedor de armas.

A este respeito, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, reafirmou na semana passada durante uma visita oficial à Índia a colaboração militar e económica bilateral.

Talvez seja por isso que Stoltenberg mencionou apenas brevemente Moscovo, alertando sobre a influência da “China e da Rússia, que até certo ponto estão a trabalhar para minar a ordem baseada em regras (internacional) que nos serviu bem por décadas”.

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