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Mulher de Navalny "inquieta" e diz que o marido quer estudar o Corão

 

Navalny, 44 anos, anunciou em 31 de março que deixava de se alimentar em protesto contra as condições de detenção a que está sujeito, acusando a administração penitenciária de lhe recusar o acesso a um médico, embora sofra de uma dupla hérnia discal, segundo os seus advogados.

Em mensagem no Instagram, Iulia Navalnaia indicou que visitou o marido hoje e que comunicaram por telefone através de um vidro.

Disse ainda que a administração penal continua a recusar o acesso do seu marido a um médico pessoal, e que pesa 76 quilos, menos nove que no início da greve de fome.

Alexei Navalny tinha previamente anunciado no Instagram, e por ocasião do primeiro dia do Ramadão para os muçulmanos, que depôs uma queixa contra a colónia penal onde está detido por não ter recebido um exemplar do Corão, que tinha solicitado.

“Quem diria que era devido ao Corão que processava a minha colónia penal pela primeira vez?”, indicou o opositor.

Segundo indicou, os livros que transportou quando foi detido no início de março ainda não lhe foram devolvidos, porque devem ser “controlados por extremismo”, um processo que se pode prolongar por três meses.

“Vão verificar se o Corão é extremista? É estúpido e ilegal”, e acrescentou: “Assim, escrevi um pedido ao diretor e apresentei queixa”.

Navalny, criticado pelas suas posições racistas na década de 2000 e pela sua participação em manifestações de extrema-direita, explicou que durante a sua detenção decidiu “estudar em profundidade e compreender o Corão”.

“Toda a gente em meu redor discute o Islão e os muçulmanos, e certamente que 99% deles não conhecem nada sobre o assunto. Mas decidi que me tornaria um campeão do Corão entre os políticos russos não-muçulmanos”, escreveu.

Navalny cumpre uma pena de dois anos e meio de prisão por um caso de corrupção que remonta a 2014, e que os seus apoiantes consideram um pretexto para a sua detenção.

Na segunda-feira, acusou as autoridades de pretenderem alimentá-lo à força.

 

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