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China e Coreia do Sul alarmadas com descarga no mar de água radioativa

 

Segundo a imprensa japonesa, a decisão de despejar água radioativa de Fukushima será tomada hoje em reunião do Governo, ao fim de sete anos de discussão sobre o destino a dar às águas usadas para arrefecer combustível da central nuclear. 

Antes mesmo de formalmente tomada a decisão, a China disse ter comunicado a sua “séria preocupação” ao Japão, pedindo ao governo do primeiro-ministro Yoshihide Suga que tome uma decisão que acautele o interesse público global, bem como a saúde e segurança dos cidadãos chineses.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, “o Japão não pode menosprezar ou ignorar” as críticas globais sobre a questão, e “não deve prejudicar mais o meio ambiente marinho, a segurança alimentar e a saúde humana”. 

Citado pela agência Kyodo, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores sul-coreano, disse na segunda-feira que despejar água radioativa de Fukushima “afetaria direta e indiretamente a segurança das pessoas e do meio ambiente vizinho”.

“Seria difícil aceitar o despejo da água no mar se o lado japonês tomar uma decisão sem consulta suficiente”, disse o porta-voz, salientando que Coreia do Sul “responderá fortalecendo a cooperação” com a Agência Internacional de Energia Atómica.

 O Governo japonês já tinha afirmado que não era possível adiar a decisão por mais tempo, dado que a capacidade de armazenagem dos tanques de água na central, que continuam a receber líquido usado para arrefecer combustível nuclear, deverá esgotar-se em 2022, 11 anos depois de a central ter sido gravemente afetada por um terramoto e tsunami.

As instalações de Fukushima Daiichi geraram toneladas de água contaminada que tiveram de ser armazenadas depois de usadas para arrefecer os núcleos parcialmente derretidos de três reatores.

Desde há anos que a empresa responsável pela central, a TEPCO, utiliza um sistema para filtrar aquela água e eliminar todos os seus isótopos radioativos com exceção do trítio.

O ministro da Indústria nipónico, Hiroshi Kajiyama, solicitou em março ao diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, que o organismo de controlo nuclear da ONU realize uma revisão científica do plano para eliminar a água e transmita a sua opinião à comunidade internacional. 

O Japão pediu à AIEA que confirme se o método e as instalações utilizadas para a eliminação da água cumprem os padrões de segurança da agência, verifique os dados da radiação à volta da central e divulgue as suas descobertas.

O pedido de Tóquio ocorre depois de especialistas das Nações Unidas terem destacado que a água da central representa um grave risco ambiental e que seria “inaceitável” libertá-la no Oceano Pacífico.

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