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Líbano aumenta área reivindicada na disputa da fronteira marítima

O anúncio foi feito numa conferência de imprensa pelo ministro das Obras Públicas e Transportes libanês, Michel Najjar, que adiantou que o decreto altera oficialmente o mapa do Líbano na divisão das suas águas meridionais e que deverá ser, em breve, ratificado pelo primeiro-ministro em funções, Hassan Diab, 

Em meados de fevereiro, e após um impasse que durava desde outubro de 2020, a localidade libanesa de Naqoura (sul) acolheu a retoma de negociações indiretas entre os dois países, mediadas pelos Estados Unidos e pela ONU, para pôr cobro a uma década de disputas e para que ambas as pudessem explorar as possíveis reservas de gás no Mediterrâneo.

O impasse deve-se, em parte, ao facto de os dois países continuarem, tecnicamente, em estado de guerra, agravado pelo facto de Israel e o Líbano não terem relações diplomáticas

Em causa estava inicialmente uma área de 860 quilómetros quadrados, mas a delegação libanesa exigiu, inesperadamente, acrescentar uma franja adicional de 1.400 quilómetros quadrados.

Com o anúncio feito por Najjar e assim que for formalizado o processo burocrático para a entrada em vigor do decreto, o Líbano passara oficialmente a reivindicar esta área extra, que se sobrepõe parcialmente ao centro de exploração de gás israelita de Karish.

Na última década, Israel descobriu e começou a explorar grandes bolsas de gás no mar Mediterrâneo, o que lhe permitiu ser praticamente autossuficiente na área de energia e até mesmo tornar-se um país exportador. 

O objetivo do diálogo lançado há seis meses entre os dois países é resolver a disputa territorial para que possam começar a fazer uso de sua Zona Económica Exclusiva do Mediterrâneo, onde se acredita que pode haver reservas de gás ainda por explorar devido ao conflito entre os dois países vizinhos.

Até agora, nem Israel, nem Estados Unidos nem ONU se pronunciaram sobre a medida unilateral libanesa, embora, refere a agência noticiosa Associated Press (AP), esteja claro que as autoridades israelitas e norte-americanas não a vão aceitar.

A decisão das autoridades de Beirute foi tomada numa altura em que se aguarda, no final da semana, a visita ao Líbano do subsecretário de Estado norte-americano para os Assuntos Políticos, David Hale, onde se encontrará com responsáveis do Governo interino libanês.

O Líbano está a passar pela pior crise económica e financeira de sua história moderna e tinha planos de começar a perfurar este ano a área disputada na procura de petróleo e gás, na esperança de que as suas próprias descobertas ajudem a aliviar os problemas económicos.

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