Início Mundo Grupo rebelde invade Chade no dia das eleições

Grupo rebelde invade Chade no dia das eleições

 

A Frente de Alternativa e Concórdia no Chade (FACT, em francês), composta por mais de 3.000 combatentes, fez uma incursão na província de Tibesti, nordeste do país, na noite do domingo, entrando pelo sul da Líbia.

De acordo com a agência espanhola Efe, o seu objetivo passa por ocupar cidades no norte e avançar até à capital, Ndjamena.

Na localidade de Wour, a mais de 1.300 quilómetros da capital, eclodiram hoje os confrontos entre estes rebeldes e o Exército.

“Foram as nossas forças que atacaram a posição do Exército Nacional do Chade por volta das 11:00 [mesma hora em Lisboa]. Durante mais de duas horas de combate, conseguimos fazer recuar o Exército, enviado por Idriss Déby Itno [o Presidente do país]”, afirmou o porta-voz da FACT, Kingabé Ogouzeimi Tapol, à Efe.

Tapol assegurou que a FACT “neutralizou 27 soldados”, fez quatro prisioneiros e “recuperou seis veículos equipados com armas pesadas”.

Por sua vez, o porta-voz do Exército, o brigadeiro Azem Bermandoua Agouna, considerou que os membros da FACT “são terroristas, e não rebeldes”, negando que tenham existido quaisquer confrontos com o grupo.

Ainda assim, um comandante militar destacado em Tibesti confirmou a existência dos ataques.

“Penso que o Governo se recusa a dizer a verdade para evitar o pânico e não prejudicar a moral dos militares”, disse, acrescentando que estes foram atacados e houve “perda de vidas”.

“Os feridos estão atualmente a ser retirados para Ndjamena”, assinalou a mesma fonte, não identificada pela Efe, que não acredita que o grupo alcance a capital.

“Tibesti está muito longe de Ndjamena. Nem sequer conseguirão chegar a Ndjamena”, sublinhou.

A FACT é um grupo político-militar chadiano composto principalmente por jovens gorane, a etnia do ex-presidente, Hissein Habré, derrubado por Déby em 1990.

Com sede na Líbia, a FACT foi criada em 2016, em Tanoua, no extremo norte do Chade, após uma cisão dentro da União das Forças para a Democracia e Desenvolvimento (UFDD), liderada por Mahamat Nouri, um adversário de Déby.

A incursão do grupo no Chade ocorreu no final do dia das eleições presidenciais, que Déby deverá vencer com facilidade.

No poder há mais de 30 anos, Déby procura um sexto mandato, enfrentando seis candidatos.

Leia Também: Chade vai hoje a eleições com vitória anunciada do atual Presidente