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Floyd: Juiz recusa pedido da defesa para isolar de imediato os jurados

 

O pedido de isolamento do júri que vai dar o veredito sobre a responsabilidade do polícia Derek Chauvin na morte de George Floyd — asfixiado enquanto se encontrava sobre escolta policial, em maio passado — acontece após a morte de um jovem negro, na noite de domingo, que provocou agitação nos subúrbios de Minneapolis.

A ideia partiu do advogado de defesa de Chauvin, que alegou que os jurados correm o risco de ser influenciados pela perspetiva do que pode acontecer como resultado do seu veredito, em particular tendo em conta o clima de tensão que se vive no exterior do tribunal.

Os juízes em julgamentos com júris têm a prerrogativa de isolar os jurados, obrigando-os a permanecer em instalações judiciais, para garantir a sua segurança e também para evitar contacto externo que manipule o seu dever de isenção perante o caso que estão a analisar.

Contudo, o juiz respondeu ao pedido dizendo que apenas determinará que o isolamento ocorra a partir da próxima segunda-feira, dia 19, como estava inicialmente previsto, coincidindo com o início de apresentação dos argumentos finais do julgamento.

O juiz também negou um pedido da defesa para questionar os jurados sobre o que podem ter sabido sobre a agitação popular após a morte do jovem negro Daunte Wright, que foi alegadamente morto pela polícia, que ocorreu a um incidente nos arredores de Minneapolis, provocando uma manifestação de protesto junto da esquadra de polícia local.

O procurador de acusação Steve Schleicher concordou com o juiz, dizendo que o isolamento dos jurados não traria benefícios, explicando que não é possível afastá-los dos acontecimentos que marcam a atualidade no mundo.

O juiz já tinha pedido aos jurados que evitassem consultar os ‘media’ durante o julgamento.

Estas decisões ocorrem quando o julgamento da morte de George Floyd entra na terceira semana, quando a defesa vai iniciar a apresentação dos seus argumentos.

O julgamento ocorre sem audiência e são transmitidas em direto por diversas estações televisivas, devido à pandemia de covid-19, e debaixo de um forte dispositivo de segurança, pelo impacto que tiveram as imagens gravadas da morte de Floyd, que se tornaram virais nas redes sociais e foram disseminadas por ‘media’ de todo o mundo, provocando uma onda de manifestações contra o racismo e contra a violência policial.

O veredito é esperado para o final de abril ou início de maio.

Os outros três polícias envolvidos no caso – Alexander Kueng, Thomas Lane e Tou Thao — só serão julgados por “cumplicidade no homicídio” em agosto.

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