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África quer reduzir importação de vacinas para menos de metade em 20 anos

Dados avançados durante o evento pelo diretor do Centro Africano de Controlo de Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), John Nkengasong, dão conta de que África precisa de 1,3 mil milhões de doses vacinas por ano.

Destas, 99% são importadas, apesar de existirem países – Marrocos, Argélia, Senegal, Nigéria, Egito e África do Sul – com capacidade para a produção de vacinas e medicamentos, mas que se dedicam quase exclusivamente a embalar os imunizantes.

“A capacidade de produção é limitada e estamos a ver o impacto dessa limitação”, com a pandemia do novo coronavírus, disse John Nkengasong, assinalando os atrasos na vacinação contra a covid-19 em África, que deverá alcançar os objetivos de imunização apenas depois de 2023.

“Temos uma necessidade urgente de fabrico de vacinas no continente”, disse, ressalvando que esta necessidade vai muito além da covid-19 e inclui a procura de imunização contra o Ébola, a febre amarela, a febre de Lassa e outros vírus emergentes.

Segundo o responsável do África CDC, além do reforço da capacidade de produção local, será necessário um reforço dos centros de investigação no continente, bem como a definição de regulamentação e a criação da Agência Médica Africana.

“Se fizermos o que devemos, em vez de importarmos 99% de vacinas, poderemos importar cerca de 40% em 20 anos”, apontou.

O objetivo passa por ter pelo menos cinco centros regionais de produção de vacinas no continente, advogou, por seu lado, o chefe de Estado da República Democrática do Congo e presidente em exercício da União Africana (UA), Félix Tshisekedi.

O líder africano defendeu uma “nova ordem de saúde pública” para África baseada na cooperação e coordenação ao nível do continente, no aproveitamento das instituições com capacidade de produção de vacinas, no reforço dos institutos nacionais de saúde pública e na criação de centros regionais de controlo e prevenção de doenças.

“A capacidade de produção local é a única forma de garantirmos acesso igualitários às vacinas”, afirmou, acrescentando que a “excessiva dependência” de vacinas fabricadas fora de África “gera desconfiança” nas populações.

Também presentes na conferência, o Presidente Paul Kagame, do Ruanda, apelou para uma “parceria para a fabricação de vacinas no continente”, enquanto o chefe de Estado da África do Sul, Cyril Ramaphosa, defendeu a importância do envolvimento do setor privado, bem como de beneficiar do ‘know how’ de países como a Índia e o Brasil.

Por seu lado, a secretária da Comissão Económica para África das Nações Unidas, Vera Songwe, lembrou que as dificuldades nos abastecimentos médicos no continente não se limitam à produção de vacinas, sublinhando a importância de aprender com as lições da covid-19.

“Perdemos cerca de 30 milhões de empregos devido a esta pandemia e temos cerca de cem milhões de pessoas a cair na pobreza. A recuperação económica para África deve passar não apenas pela produção de vacinas, mas pela produção de medicamentos e outros componentes médicos”, disse.

“Não nos concentremos apenas na produção de vacinas, mas em todos os outros insumos da cadeia de abastecimento das vacinas, desde seringas a recipientes de plástico”, acrescentou, defendendo a necessidade que criar valor com um mercado de vacinas que tem potencial para criar seis milhões de empregos.

A conferência decorre hoje e na terça-feira, reunindo líderes políticos, especialistas de saúde, organizações financeiras internacionais, entre outros, com o objetivo de estabelecer um roteiro para a produção de vacinas em África.

África registou um total de 115.765 mortes desde o início da pandemia, e de acordo com o África CDC, o número total de infetados nos 55 Estados-membros da organização é de 4.350.512 desde o início da pandemia.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.937.355 mortos no mundo, resultantes de mais de 135,9 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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