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Ricardo Costa pede força mental ao FC Porto em busca da reviravolta

O ex-futebolista internacional português Ricardo Costa pediu força mental ao FC Porto para reverter uma desvantagem de dois golos frente aos ingleses do Chelsea, na segunda mão dos quartos de final da Liga dos Campeões.

“Sempre disse e reafirmo até o resultado de terça-feira me dizer o contrário: dava 50/50 a cada um, porque ambos estão a jogar uns ‘quartos’ da ‘Champions’ e o FC Porto fez uma fase de grupos maravilhosa e um grande jogo contra a Juventus. Fez acreditar que, se os jogadores estiverem com o mesmo nível de exigência, pode conseguir passar às meias-finais”, frisou à agência Lusa o ex-defesa, que alinhou nos ‘dragões’ de 2000 a 2007.

FC Porto e Chelsea reencontram-se na terça-feira, às 21:00 locais (20:00 em Lisboa), de novo na cidade espanhola de Sevilha, devido às restrições de viagens provocadas pela pandemia de covid-19, seis dias depois da derrota dos campeões nacionais por 2-0, teoricamente em casa, com golos de Mason Mount (32 minutos) e Ben Chilwell (85).

Os ‘azuis e brancos’, semifinalistas da principal prova europeia de clubes em 1986/87, 1993/94 e 2003/04, precisam de inverter a história na capital da Andaluzia, já que os 15 desaires anteriores a abrir com dois ou mais golos de diferença acabaram em eliminação.

O vasto percurso do FC Porto nas provas continentais ostenta um máximo de seis recuperações de desvantagens pela margem mínima, uma das quais em reduto alheio, nos quartos de final da Taça UEFA de 2002/03, frente aos gregos do Panathinaikos.

“A nossa preparação para essa segunda mão passou por introduzir nas nossas cabeças que era possível. Tínhamos futebol para ganhar e o ‘mister’ José Mourinho teve aquele trabalho mental para nos convencer de que, se fizéssemos e aplicássemos a estratégia planeada, iríamos dar a volta ao marcador e conseguir passar”, recordou Ricardo Costa.

Depois de um desaire por 1-0 nas Antas, culpa de um tento solitário do polaco Emmanuel Olisadebe (73 minutos), os ‘dragões’ venceram no Estádio Apostolos Nikolaidis, em Atenas, por 2-0, após prolongamento, com um ‘bis’ do brasileiro Derlei (16 e 103).

“Lembro-me muito bem que nós acreditávamos, tínhamos confiança no nosso trabalho e, se corrigíssemos os erros que nos complicaram a vida na primeira mão, a partir daí chegaríamos lá, bloquearíamos as peças do adversário e faríamos os dois golos”, partilhou Ricardo Costa, que substituiu o lateral esquerdo Mário Silva aos 73 minutos.

O central veio reforçar o eixo defensivo do conjunto de José Mourinho, tendo em conta a necessidade de os ‘dragões’ manterem a baliza inviolável para, pelo menos, arrastarem o jogo para tempo extra, perante um recinto com quase 15.000 adeptos nas bancadas.

“Estádios cheios e atmosferas adversas são o melhor para os jogadores, porque motivam mais e dão alma de guerreiro em vencer esta batalha para depois ir à guerra final. Sabíamos que com o público a puxar por eles, se conseguíssemos aguentar os primeiros 20 a 30 minutos e fazer o nosso golo, eles iriam tremer. Foi isso que aconteceu”, notou.

Os ‘dragões’ conquistariam essa edição da Taça UEFA, curiosamente em Sevilha, onde estão a disputar com os ‘blues’ o acesso às meias-finais da edição 2020/21 da Liga dos Campeões, numa inusitada eliminatória disputada no Estádio Ramón Sánchez Pizjuán.

“Não ter público nas bancadas e jogar num estádio que nem é teu nem do Chelsea são momentos raros e esquisitos no futebol. Tudo pode acontecer e acredito que o FC Porto consiga dar a volta. Para tal, precisa de muita capacidade para ter bola e de fazer golos, sem deixar o oponente sair em transições rápidas e verticais”, projetou Ricardo Costa.

Os regressos de Sérgio Oliveira e do iraniano Mehdi Taremi, ambos ausentes do primeiro jogo por razões disciplinares, trazem “mais soluções” para os ‘dragões’ reverterem dois golos originados por “erros pouco usuais”.

“Na primeira mão, os defesas estiveram em superioridade em relação aos atacantes. Agora, o FC Porto pode ter outras vantagens e esses dois regressos serão uma desvantagem para o Chelsea, porque o Sérgio e o Taremi trazem rotinas de jogo completamente diferentes das que o Luis Díaz e o Marko Grujic deram”, analisou.

Ricardo Costa antecipa os ‘blues’ em modo de gestão na segunda mão, sabendo “que o importante é não sofrer” para poder capitalizar os ‘pecados’ fatais de Zaidu, no primeiro tento, ao deixar fugir Mount, e de Corona, no segundo, ao perder a bola para Chilwell.

“O Chelsea vai jogar como a personalidade do seu treinador, que é cauteloso, tem princípios de jogo e prepara as suas equipas ao pormenor. Vai manter os três defesas, mas, quando joga em bloco baixo, conjugará linha defensiva de cinco com dois médios defensivos à sua frente, de forma a bloquear todo o jogo interior e exterior”, apontou.

Em plena 11.ª presença no ‘top 8’ da ‘Champions’, o FC Porto tem de abalar a extrema coesão defensiva do Chelsea na ‘era’ Thomas Tuchel, com apenas oito golos sofridos em 17 jogos, para acalentar a repetição das conquistas de 1986/87 e 2003/04.

“Quem joga no FC Porto, sabe sempre que tem de estar no máximo da sua performance. Só assim é que este clube conseguiu esses títulos, vai somando as suas vitórias na atualidade e consumará novas conquistas no futuro”, finalizou Ricardo Costa, de 39 anos, que venceu a Taça UEFA, a Liga dos Campeões e a Taça Internacional pelos ‘dragões’.

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