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Turquia diz que não quer "aumento das tensões" entre a Ucrânia e a Rússia

A declaração foi feita enquanto a Turquia anunciou a próxima passagem de navios de guerra dos EUA pelos seus estreitos no Mar Negro.

“O nosso principal objetivo é assegurar que o Mar Negro possa continuar a ser um mar de paz e de cooperação. Não queremos um aumento das tensões na nossa região comum”, referiu o Presidente turco, durante uma conferência de imprensa com o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, de visita ao país.

Erdogan sublinhou que “a atual crise deve ser resolvida por meios pacíficos, baseados no direito internacional e no respeito pela integridade territorial da Ucrânia”.

Responsáveis ucranianos e norte-americanos manifestaram nos últimos dias preocupação com a chegada de milhares de tropas e equipamento russo à fronteira russo-ucraniana, tendo como pano de fundo novos incidentes entre as forças de Kiev e separatistas pró-russos na Ucrânia oriental.

O chefe de Estado turco salientou que a Turquia está preparada para prestar “qualquer forma de apoio” para a resolução do conflito e que se recusa a reconhecer a anexação da Crimeia à Rússia.

“O apoio da Turquia ao restabelecimento da nossa soberania territorial é primordial”, frisou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Ancara anunciou na sexta-feira que dois navios de guerra americanos atravessariam o Estreito de Bósforo em 14 e 15 de abril a caminho do Mar Negro, de acordo com a Convenção de Montreux.

O tratado de 1936 garante a livre navegação de navios civis através dos estreitos turcos, mas os países que não fazem fronteira com o Mar Negro devem avisar com 15 dias de antecedência da passagem dos seus navios de guerra, que não podem aí permanecer por mais de 21 dias.

O Presidente russo, Vladimir Putin, pediu ao homólogo turco, numa chamada telefónica, na sexta-feira, para preservar o tratado na eventualidade de este ser posto em causa devido ao projeto de um canal, que tem suscitado recentemente um debate na Turquia.

Segundo os observadores, uma possível suspensão do tratado poderia facilitar o acesso ao Mar Negro a navios de guerra de países não-russos, como os Estados Unidos e outros estados-membros da NATO, cenário que Moscovo vê com maus olhos.

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