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Oposição venezuelana vai recorrer se Governo impedir entrada de vacinas

 

O acordo com o Fundo de Acesso Global para Vacinas Covid-19 (Covax) “vai permitir salvar muitas vidas (…) negar a imunização da população venezuelana ao vírus é uma causa adicional para que o regime seja julgado no Tribunal Penal Internacional” (TPI), afirmou o opositor William Barrientos, numa conferência de imprensa virtual na sexta-feira.

Eleito deputado em 2015, William Barrientos afirmou que a oposição defende “que cada venezuelano receba a sua dose” e continuará a esforçar-se, junto dos organismos internacionais, para que as vacinas “entrem no país sem conceitos de caráter ideológico, sejam distribuídas e administradas mediante os respetivos protocolos internacionais”.

“O acesso às vacinas é uma emergência para todos os venezuelanos. O regime tem utilizado a pandemia com critérios de controlo social e desumano, o que vai contra a população vulnerável”, disse.

Para o deputado, “toda a grave crise epidemiológica teria sido evitada se tivessem sido aplicados os protocolos necessários para o diagnóstico com suficientes laboratórios e testes de PCR adequados”, bem como “medidas de proteção de pessoal (médico) e acesso a suprimentos, apetrechamento de hospitais, assessoria de entidades científicas em matéria de infetologia, virologia, alergologia, pneumologia e estabelecimento de cercos epidemiológicos corretos”.

A oposição questionou o número de contágios diários com o novo coronavírus, cuja média diária ronda os 800 casos, de acordo com os último dados oficiais conhecidos, ao estimar “entre seis mil e sete mil infetados” diários, razão que levou hospitais e clínicas privadas ao “colapso”.

Barrientos acrescentou que a oposição chegou recentemente a um acordo com os Estados Unidos para libertar fundos venezuelanos para a aquisição de vacinas através do mecanismo Covax, incluindo as dos laboratórios AstraZeneca, Pfizer, Moderna e Johnson & Johnson.

A oposição venezuelana reiterou que a vacina da AstraZeneca não representa um risco para a população.

Em 16 de março, o Governo venezuelano anunciou que não vai autorizar o uso local da vacina da AstraZeneca, devido aos efeitos secundários ocorridos nos pacientes.

“A Venezuela não autorizará que a vacina AstraZeneca seja usada no nosso país devido aos efeitos que tem nos pacientes”, anunciou a vice-Presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, na televisão estatal venezuelana.

Em 22 de março, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, decretou duas semanas de “quarentena radical”, até depois da Páscoa, para tentar travar a propagação local da variante do novo coronavírus detetada no Brasil.

A Venezuela contabilizou 1.532 mortes e 154.165 casos da covid-19, desde o início da deteção da doença no país, em março de 2020.

Em 02 de março, o país recebeu meio milhão de doses de vacinas da farmacêutica estatal chinesa Sinopharm, depois de ter recebido, em fevereiro, as primeiras 100 mil doses da vacina russa.

De acordo com a Academia de Medicina da Venezuela, o país necessita de 30 milhões de vacinas para 15 milhões de pessoas, 3,5 milhões das quais pessoal prioritário.

Segundo a Associação de Clínicas e Hospitais (ACCH), as áreas de hospitalização e isolamento e de terapia intensiva de 11 clínicas privadas da cidade de Caracas estão a registar entre “95% e 100%” de ocupação de pacientes diagnosticados com a covid-19.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.756.395 mortos no mundo, resultantes de mais de 125,4 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.819 pessoas dos 819.698 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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