Início Notícias International Rescue Committee condena mortes "sem sentido" no Níger

International Rescue Committee condena mortes "sem sentido" no Níger

 

“Estamos chocados com o ataque a civis, que apenas estavam nas suas coisas, iam buscar água”, comentou Aboubakar Pefoura, coordenador da organização não-governamental no Níger, num comunicado divulgado hoje.

“Não só 137 civis foram mortos no último dos ataques, como 22 deles eram crianças. Os civis nunca devem ser um alvo, especialmente as crianças, e este princípio fundamental deve ser defendido em situações de conflito por todas as partes”, sublinhou Pefoura.

O IRC, uma organização empenhada no apoio a vítimas de conflitos ou desastres naturais, deslocou equipas para o Níger, que estão a avaliar as necessidades das populações deslocadas e famílias afetadas pelos ataques de grupos extremistas islâmicos.

O Governo do Níger revelou na segunda-feira que 137 pessoas foram mortas na véspera em ataques de terroristas islâmicos contra aldeias na região de Tahoua, próximo da fronteira com o Mali, que, segundo os mais recentes números, poderão ter sido os que mais vítimas mortais causaram no país nos últimos anos.

“Visando sistematicamente as populações civis, bandidos armados abriram uma nova etapa no horror e na barbárie”, denunciou o porta-voz do Governo, Zakaria Abdourahamane, em comunicado lido na televisão pública.

Tahoua situa-se a leste de Tillabéri, área conhecida como das “três fronteiras” (Níger, Mali e Burkina Faso), regularmente atacada por grupos terroristas afiliados à Al-Qaida ou ao Estado Islâmico.

Em 15 de março, 66 pessoas morreram em ataques terroristas contra mercadores e uma aldeia na zona.

Em 02 de janeiro, 100 pessoas foram mortas em ataques na área de Ouallam (região de Tillabéri) por terroristas armados, em motorizadas.

O Níger tem sofrido ataques ‘jihadistas’ também na região sudeste, perto da Nigéria, que fizeram centenas de mortos.

Segundo o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), uma grande parte das 137 pessoas mortas no dia 21 eram deslocados de outras regiões nigerinas e do Mali.

As regiões nigerinas de Tahoua, palco deste ataque, e Tillabéri, localizada na fronteira com o Mali, albergam atualmente cerca de 204 mil refugiados e deslocados internos, segundo o ACNUR, que aponta o Níger, Burkina Faso e Mali como o “epicentro de uma das crises de refugiados e de falta de proteção com crescimento mais rápido do mundo”.

O Sahel alberga já quase três milhões de refugiados e deslocados internos, segundo a organização.

A região de Tillabéri, localizada na zona das “três fronteiras”, frequentemente atacada por grupos ‘jihadistas’, é também altamente vulnerável à insegurança alimentar crónica, agravada pelo estado de emergência.

Além dos grupos ‘jihadistas’, aquela região alberga também grupos antiterroristas, que os especialistas dizem ter levado a um aumento de milícias étnicas, alimentado as tensões intercomunitárias.

Leia Também: Ataques a três aldeias no Níger fazem pelo menos 11 mortos