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Timor: Patrulhas reforçadas após incidentes com grupos de artes marciais

Díli, 25 mar 2021 (Lusa) – A polícia timorense reforçou nas última 48 horas os patrulhamentos em vários bairros da capital, Díli, depois de alguns incidentes que envolveram membros de diferentes grupos de artes marciais (GAM), que resultaram na detenção de sete pessoas.

“Os incidentes mais graves ocorreram há dois dias, com elementos de um grupo de artes marciais a espancarem dois membros de outro grupo. Detivemos sete pessoas que vão ser agora presentes ao tribunal”, disse o comandante distrital da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), Henrique da Costa, à Lusa.

“Na sequência desses incidentes reforçámos as patrulhas em várias zonas da cidade e ontem [quarta-feira] a situação esteve mais calma”, confirmou.

O incidente em causa, que envolveu membros de dois GAM rivais, o “77” e o Kerah Sakti, é o mais recente de um problema antigo que é responsável por muita da violência que ocorre em algumas zonas da cidade.

“Alguns GAM operam em alguns bairros e depois membros envolvem-se em conflitos com outros jovens e acabam por provocar atos de vingança. Vamos manter o reforço das patrulhas policiais, recorrendo a várias unidades da PNTL”, explicou.

Antonio Armindo, vice-ministro do Interior, disse à Lusa que as autoridades estão no terreno para prevenir e evitar mais incidentes, notando que há um comportamento de “vingança” que faz aumentar a tensão em torno a pequenos incidentes.

Motivo pelo qual, disse, a PNTL continuará com patrulhas reforçadas para evitar mais atos de elementos dos GAM ativos na cidade.

Os membros da PNTL, recordou, continuam igualmente a verificar o cumprimento das regras do confinamento obrigatório no município, tanto a nível da população como de negócios e empresas.

“Os efetivos da PNTL continuam a procurar que as pessoas respeitem as regras de confinamento e esperamos que as empresas também o façam”, disse.

“Temos pessoas do serviço de inteligência a trabalhar para garantir que as empresas também estão a cumprir e a respeitar a lei, que determina que negócios e de que formato é que podem operar”, disse.

O problema dos GAM é antigo em Timor-Leste e apesar de várias tentativas de sucessivos Governos e das autoridades de segurança continuam, pontualmente, a causar problemas em alguns locais.

Grupos rivais marcam território e pequenos incidentes, como um elemento de um grupo atacar outro, acabam por crescer com ações de vingança que envolvem depois grupos mais numerosos.

Os vários GAM têm dezenas de milhares de membros espalhados por todo o país, com muitos a exigirem cerimónias de juramento ou de iniciação que, em alguns casos, envolvem o uso de uma arma branca conhecida como ‘rama ambon’.

As ‘rama ambon’ uma espécie de fisgas com que se lançam pequenas flechas, lâminas ou setas e que chegaram a ser usadas em muitos incidentes nos últimos anos como prática de iniciação de jovens em grupos de artes marciais ou em confrontos entre grupos.

No passado numa das paredes da zona de urgências do Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV), em Díli, chegaram a estar coladas inúmeras ‘rama ambon’ retiradas do corpo de vítimas.

Relatórios atribuem a violência entre GAM dezenas de mortos e feridos em incidentes ao longo dos anos, com

Há um ano, o Governo timorense revogou uma resolução de 2013 que extinguia os GAM, tendo na altura dado instruções à PNTL para que “intensifique as ações de combate aos crimes relativos à prática ilícita de artes marciais e de rituais”.

O Governo tentou várias vezes mediar e conseguir compromissos dos GAM “para salvaguardar o respeito por princípios de convivência social”, num processo que levou em maio de 2011 à assinatura de um compromisso, que não produziu os efeitos desejados.

Além de vários grupos de artes marciais, como a PSHT, KORK e KERAK SAKTI, têm crescido outros grupos considerados de “artes rituais”, entre eles o “77”.