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Método acelera descoberta de produtos provenientes de cianobactérias

Em declarações à agência Lusa, Pedro Leão, investigador daquele centro da Universidade do Porto, explicou hoje que o novo método “muda o paradigma da inovação nesta área ao permitir acelerar muito a descoberta de compostos em cianobactérias”, micro-organismos que têm sido fonte de vários produtos naturais.

“Ora, ao estarmos a acelerar a descoberta de novos compostos, estamos a acelerar o desenvolvimento de fármacos, ainda que esta relação não seja propriamente direta”, afirmou, acrescentando que a indústria farmacêutica, cosmética e de fragrâncias estão “dependentes de constante volume de investigação”.

“Se não houver este constante volume de novas moléculas, estas indústrias deixam de ter matéria-prima para desenvolver os seus fármacos e produtos”, referiu Pedro Leão.

Este novo método, descrito no artigo publicado na revista científica Angewandte Chemie International Edition, permitiu aos investigadores perceber, tendo por base a informação genética, que as “cianobactérias não degradam os ácidos gordos que lhes são fornecidos”. 

“O método consiste em alimentar estas bactérias com um ácido gordo marcado que depois é usado pelos organismos para produzir compostos naturais. Ao produzir estes compostos, as cianobactérias incorporam a marcação que passa a ser possível detetá-las através de técnicas de espetrometria de massa”, esclareceu.

Através deste método, os investigadores conseguiram identificar “cerca de 10 novos compostos apenas em duas cianobactérias” que mostram ter uma “atividade relevante” na área do cancro, embora não sejam “muito potentes”.

“A facilidade com que encontramos compostos é muito maior do que tínhamos vindo a fazer antes deste método, que é bastante promissor e vai alavancar muito o nosso trabalho”.

À Lusa, Pedro Leão adiantou que, após a publicação do artigo, a equipa de investigadores já descobriu outros novos compostos, estando neste momento a “otimizar o método” para que o mesmo seja “ainda mais rápido”, sendo que, neste momento, a deteção demora cerca de três semanas.

O novo método foi desenvolvido ao abrigo do projeto FattyCyanos, financiado pela ERS Starting Grant, e do projeto HALVERSITY da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

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