Início Mundo Canal do Suez fechado à navegação. Desencalhar navio pode "levar semanas"

Canal do Suez fechado à navegação. Desencalhar navio pode "levar semanas"

A Autoridade do Canal de Suez suspendeu temporariamente o tráfego marítimo enquanto oito rebocadores continuam a tentar fazer com que o navio  porta-contentores que ali encalhou volte a navegar. A corrida para desbloquear o canal do Suez entra hoje no terceiro dia, à medida que aumenta a pressão das autoridades.

Entretanto, a empresa que opera o navio pediu esta quinta-feira desculpas pela situação e garantiu que está a trabalhar numa solução.

Num comunicado em inglês, a companhia adianta que não há registo de feridos nem de derramamento de petróleo na sequência do incidente. A empresa esclarece que havia 25 tripulantes a bordo, todos de nacionalidade indiana. 

“Pedimos desculpas sinceras por causar tanta preocupação”, lê-se no documento, que acrescenta que o navio estava totalmente carregado com bens de consumo com destino aos mercados europeus.

A empresa responsável pelas operações descreve o navio como uma “baleia encalhada”, diz que a embarcação está presa na areia e que os contentores podem ter de ser descarregados, um processo que poderá levar semanas.

“É como uma enorme baleia encalhada. É um peso enorme na areia. Podemos ter que reduzir o peso removendo contentores, óleo e água do navio. Não podemos excluir que pode levar semanas, dependendo da situação”, afirmou o CEO da empresa a uma televisão holandesa.

O navio porta-contentores, recorde-se, encalhou no Canal do Suez depois de ter sido atingido por rajadas de vento e provocou a paragem da circulação marítima numa das rotas mais utilizadas do mundo.

Uma foto divulgada na terça-feira mostra o navio MV Ever Given, com pavilhão de Taiwan, com 400 metros de comprimento e 59 metros de largura atravessado no canal, impedindo o tráfego.

O Canal do Suez, inaugurado em 1869, garante a passagem de 10% do comércio marítimo internacional.

Cerca de 19 mil navios utilizaram a passagem em 2020, de acordo com a Autoridade do Canal do Suez (SCA).

Esta situação levou à reversão de parte da queda sofrida na terça-feira pela cotação do Brent, superior a 6%, perante a preocupação que a nova vaga da pandemia do novo coronavirus está a suscitar na Europa.

Os investidores ficaram ainda a saber que as reservas de petróleo nos EUA aumentaram em 1,91 milhões de barris na semana passada, quando a expectativa era de uma descida de 270 mil barris.

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