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Segundo classificado das eleições presidenciais impedido de sair da RCA

Dologuélé, que deveria viajar para Paris por razões médicas, foi impedido de embarcar no voo da Air France que partia de Bangui, segundo o porta-voz do opositor, Christian Gazam Betty, citado pela agência France-Presse (AFP).

De acordo com o porta-voz de Dologuélé, a polícia exigiu uma autorização para sair do país emitida pelo Ministério do Interior, que o opositor disse não ter.

Confirmando que opositor foi impedido de viajar, o porta-voz do Governo, AngeMaxime Kazagui, justificou a decisão com o estado de emergência em vigor no país.

“Estamos em estado de emergência e estão em vigor medidas para assegurar que qualquer pessoa que queira deixar o país tenha de o comunicar antes de viajar para que as autoridades possam (…) autorizálos ou não”, disse o porta-voz do executivo centro-africano à AFP.

“Estamos a conduzir investigações no contexto da tentativa de golpe (…), foram tomadas medidas e destinam-se em particular a figuras políticas”, acrescentou Kazagui, sem especificar se esse era o caso de Dologuélé.

Por sua vez, Gazam Betty assinalou que Dologuélé “nem uma vez foi notificado de qualquer investigação que lhe diga respeito, nem o procurador da República o impediu de sair do território nacional”.

O porta-voz do opositor considerou que a autorização exigida pelo Ministério do Interior é ilegal, apontando que Dologuélé é um deputado da nação, e lamentou a “deriva ditatorial” do país.

Desde meados de dezembro, e poucas semanas antes das eleições, seis dos mais poderosos grupos armados controlam dois terços da RCA, que está em guerra há oito anos. Os grupos fazem parte da Coligação dos Patriotas para a Mudança (CPC, em francês), que lançou uma ofensiva contra o regime de Touadéra.

A insegurança na RCA levou a que nas eleições realizadas em 27 de dezembro, apenas menos de um terço dos eleitores tenha conseguido ir às mesas de voto, o que, ainda assim, não impediu a proclamação da reeleição do Presidente cessante, com 51,3% dos votos.

Na altura, o Governo acusou o ex-Presidente François Bozizé de conduzir os rebeldes ao que apelidou de “golpe de Estado”. Num anúncio feito no domingo pelo porta-voz do CPC, Bozizé é agora o líder do movimento.

A coligação perdeu força face a uma frente mais bem equipada, com 12.000 capacetes azuis da ONU, que estão no país desde 2014, mas também centenas de militares ruandeses e paramilitares russos.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, após o derrube do então presidente, François Bozizé, por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas na anti-Balaka.

Desde então, o território centro-africano tem sido palco de confrontos comunitários entre estes grupos, que obrigaram quase um quarto dos 4,7 milhões de habitantes da RCA a abandonarem as suas casas.

Portugal tem atualmente na RCA 241 militares, dos quais 183 integram a MINUSCA e 58 participam na missão de treino da União Europeia (EUTM), liderada pelo brigadeiro-general Neves de Abreu, até setembro de 2021.