Início Notícias Membro do grupo que inclui luso-chinês acusado de conluio com Jimmy Lai

Membro do grupo que inclui luso-chinês acusado de conluio com Jimmy Lai

Andy Li, de 30 anos, faz parte dos oito ativistas pró-democracia de Hong Kong entregues na segunda-feira às autoridades da antiga colónia britânica, após terem cumprido uma pena de sete meses em Shenzhen, na China continental, por travessia ilegal.

Os ativistas, a maioria ligados aos protestos antigovernamentais de 2019, foram detidos em 23 de agosto, quando a lancha em que seguiam com destino a Taiwan, onde se pensa que procuravam asilo, foi intercetada pela guarda costeira chinesa.

A polícia do território anunciou hoje que Andy Li foi acusado de conluio com forças estrangeiras, um dos crimes previstos na lei da segurança nacional que Pequim impôs a Hong Kong em junho do ano passado, em resposta aos protestos de 2019.

De acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP), que cita um documento do tribunal, Andy Li é acusado de conspirar com Jimmy Lai, o magnata dos meios de comunicação social detido no ano passado ao abrigo da lei de segurança nacional, para que fossem impostas sanções do estrangeiro aos líderes de Hong Kong.

Andy Li é também acusado de conspirar com Jimmy Lai para auxiliar a fuga do grupo para Taiwan, segundo o documento.

Jimmy Lai, de 72 anos, já tinha sido acusado em fevereiro de ajudar os 12 ativistas capturados em Shenzhen quando tentavam fugir do território.

Li é ainda acusado de posse não autorizada de munições, uma acusação relacionada com o facto de a polícia ter encontrado latas de gás lacrimogéneo vazias disparadas pelas forças de segurança durante os protestos de 2019, segundo a AFP.

Os restantes sete ativistas entregues pela China às autoridades de Hong Kong deverão enfrentar acusações no território pela participação nos protestos de 2019.

O luso-chinês Tsz Lun Kok, também entregue às autoridades de Hong Kong na segunda-feira, tinha sido detido na antiga colónia britânica em 18 de novembro de 2019, durante o cerco da polícia à Universidade Politécnica daquele território, e mais tarde libertado.

Kok, que é acusado de motim, deveria ter sido ouvido no tribunal de Tuen Mun, em Hong Kong, em 25 de setembro de 2020, altura em que estava detido na China continental, segundo o seu advogado disse então à Lusa, não sendo ainda conhecida nova data para o julgamento.

O receio dos habitantes de Hong Kong de serem julgados na China continental, ao abrigo de um projeto de lei da extradição apresentado em 2019, desencadeou os protestos sem precedentes que abalaram o território semi-autónomo em 2019.

O projeto acabaria por ser retirado, mas Pequim aprovou em 30 de junho de 2020 uma lei da segurança nacional, com penas que podem chegar à prisão perpétua, levando vários ativistas a refugiar-se no Reino Unido e Taiwan, para onde fugiram muitos manifestantes em busca de asilo.

A lei foi criticada pela União Europeia (UE) e a ONU, por violar o princípio “Um país, dois sistemas”, acordado na transferência de Hong Kong, em 1997, garantindo à antiga colónia britânica liberdades desconhecidas no resto da China.

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