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Reino Unido marca com silêncio aniversário do primeiro confinamento 

 

Às 12:00 (mesma hora em Lisboa), membros das duas câmaras do Parlamento vão interromper os trabalhos e permanecer em silêncio para marcar o Dia Nacional de Reflexão e homenagear os “milhões de enlutados” em todo o mundo, de acordo com um comunicado.

Foi na noite de 23 de março de 2020 que o primeiro-ministro, Boris Johnson, anunciou, no seguimento de outros países europeus, um confinamento imediato do Reino Unido quando o país contava então mais de 300 mortes devido ao novo coronavírus.

Um ano depois, o país cumpre o terceiro confinamento, decretado no início de janeiro para conter uma nova vaga de casos atribuída a uma variante mais contagiosa descoberta em Inglaterra, e contabiliza mais de 126.000 mortes, o maior número de óbitos na Europa, e mais de 4,3 milhões casos de contágio, incluindo o primeiro-ministro Boris Johnson e o príncipe herdeiro Carlos.

“Nenhum de nós escapou ao tormento da covid-19 – do choque de ser privado da nossa liberdade à tristeza de perder um ente querido”, disse Lindsay Hoyle, presidente da Câmara dos Comuns, a câmara baixa do parlamento.

“É, portanto, justo que, um ano depois, tomemos tempo para refletir sobre o que temos sofrido como nação, que prestemos homenagem às muitas vidas perdidas e às famílias em luto”, disse ele.

O Dia Nacional de Reflexão foi proposto pela instituição de caridade Marie Curie, que propôs, além do minuto de silêncio, que as pessoas coloquem um poster colorido na janela ou acendam uma luz, seja uma lanterna, vela ou usando o telemóvel, às 20:00 para simbolizar um “farol de lembrança”.

Ao anoitecer, edifícios emblemáticos como o London Eye, Trafalgar Square e o Estádio de Wembley em Londres, o Castelo de Cardiff ou os Paços do Concelho de Belfast vão ser iluminados de amarelo e igrejas e catedrais vão tocar sinos, acender milhares de velas e realizar orações.

Boris Johnson exortou os britânicos a aproveitarem este aniversário para “refletir sobre o ano que passou, um dos mais difíceis da história” do país.

“Devemos também lembrar-nos do grande espírito demonstrado pela nossa nação no ano passado. Todos nós desempenhamos o nosso papel, seja trabalhando na linha de frente como enfermeiro ou cuidador, trabalhando no desenvolvimento e no fornecimento de vacinas, ajudando a distribuir a vacina, dando aulas aos filhos em casa ou simplesmente ficando em casa para prevenir a propagação do vírus”, vincou.

Frequentemente criticado pela resposta caótico à pandemia e por ter demorado a perceber a dimensão da crise, o Governo conservador conta agora com uma campanha de vacinação em grande escala, uma das mais avançadas do mundo, para levantar aos poucos as restrições até ao fim de junho.

Desde o lançamento da vacinação no início de dezembro, quase 28 milhões de pessoas já receberam a primeira dose de uma vacina anti-covid no Reino Unido, incluindo a Rainha Isabel II e o primeiro-ministro, e cerca de 2,3 milhões foram imunizados com duas doses.

Atualmente estão a ser administradas as vacinas Pfizer e AstraZeneca, e uma terceira, do laboratório americano Moderna, deve começar a ser usada nas próximas semanas, segundo as autoridades.

O objetivo é que a primeira dose seja administrada a todas as pessoas com mais de 50 anos até meados de abril e a todos os adultos até ao final de julho.

O executivo admitiu, no entanto, que o país teria problemas com o fornecimento da vacina AstraZeneca em abril devido a atrasos atribuídos a uma unidade de produção na Índia, mas por enquanto mantém o seu plano de desconfinamento. 

O fornecimento desta vacina, considerada “segura” pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) após receios levantados sobre efeitos secundários, está no centro de um impasse com a União Europeia, que ameaça bloquear as exportações de doses produzidas no seu território.

Londres disse que tal medida seria “contraproducente”, e Boris Johnson pediu “cooperação internacional” em vacinas.

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