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Primeiro-ministro admite presença de tropas da Eritreia em Tigray

 

A presença de tropas eritreias em Tigray, apoiando o governo federal contra a regional Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF), foi revelada por residentes, organizações humanitárias e alguns diplomatas, mas negada durante meses pelas autoridades de ambos os países.

“Depois de o exército eritreu ter atravessado a fronteira e operado na Etiópia, quaisquer danos que tenham causado ao nosso povo são inaceitáveis”, disse Abiy, que hoje está a responder a perguntas dos deputados no parlamento.

“Não o aceitamos porque é o exército da Eritreia e não o aceitaríamos se fossem os nossos soldados. A campanha militar foi contra os nossos inimigos claramente visados, não contra o povo. Já discutimos isto quatro ou cinco vezes com o governo da Eritreia”, prosseguiu.

Os residentes do Tigray relataram a organizações de direitos humanos e jornalistas massacres e violência sexual contra civis levados a cabo pelas forças de segurança, incluindo tropas eritreias.

Abiy lançou uma intervenção militar no início de novembro para derrubar o partido no poder nesta região norte do país, a Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF), cujas forças acusou de terem atacado bases do exército federal.

Declarou vitória no conflito a 28 de novembro, mas alguns dos líderes da TPLF estão em fuga e prometem continuar a lutar, numa altura em que há vários relatos de que os combates prosseguem na região.

Segundo o chefe do governo etíope, as autoridades eritreias afirmam que foram as TPLF que os empurraram para a batalha “disparando foguetes” contra o seu país a partir do outro lado da fronteira.

“A Eritreia disse-nos que têm problemas de segurança nacional e, por conseguinte, ocuparam áreas na fronteira”, disse Abiy.

Explicou que o governo da Eritreia argumenta que os seus soldados ocuparam as trincheiras na fronteira, escavadas durante a guerra entre os dois países entre 1998-2000, que tinham sido abandonadas pelos soldados etíopes.

Segundo Abiy, as autoridades da Eritreia prometeram partir se os soldados etíopes regressassem a estas trincheiras.

“O governo da Eritreia condenou vigorosamente os alegados abusos e disse que tomará medidas contra qualquer soldado que seja acusado disso”, acrescentou.

As declarações de Abiy surgem numa altura em que continuam as aumentar as preocupações com a situação humanitária naquela região do norte da Etiópia, onde vivem mais de seis milhões de pessoas.

Os Estados Unidos caracterizaram alguns abusos cometidos durante o conflito no Tigray como “limpeza étnica”, acusações consideradas infundadas pelas autoridades etíopes.

A administração norte-americana exortou também as tropas eritreias, que lutam do lado das forças governamentais etíopes, a retirarem-se de Tigray.

O primeiro-ministro etíope, que ganhou o Prémio Nobel da Paz em 2019 pelos seus esforços para fazer a paz com a Eritreia, enfrenta pressões para pôr fim ao conflito em Tigray, bem como para permitir uma investigação internacional sobre alegados crimes de guerra, idealmente conduzida pelas Nações Unidas.

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