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Presos enfrentam dificuldades alimentares durante confinamento "radical"

“A escassa ou nenhuma alimentação das pessoas privadas de liberdade nas prisões venezuelanas é uma reclamação constante das suas famílias. As altas taxas de desnutrição da população penitenciária são realmente alarmantes, somadas à alta taxa de mortalidade por doenças infecciosas como a tuberculose”, alerta o OVP.

Em um comunicado divulgado pela Internet, aquela ONG explica que “em conversas com alguns reclusos (…) confirmou que sua dieta diária está baseada em grãos, arroz ou arepa (espécie de pão de milho) sem recheio”.

“Porém, quem consegue comer um pouco por dia considera que tem muita sorte, pois em outras áreas só recebe caldo de massa ou grãos sem sal, assim têm proibido consumir açúcar”, explica.

Segundo o OVP “para paliar um pouco a situação, os familiares dos réus venezuelanos fornecem-lhes comida cozida, pães e ‘catalinas‘ (bolachas), cada quinze dias ou pelo menos duas vezes por mês, nos dias de visita ou quando (os oficiais) deixam passar o que chamam de ‘paquetaría‘ (conjunto de pacotes)”.

“Graças à ajuda dos entes queridos, muitos presos têm sobrevivido à fome e à desnutrição que acabou com a vida de companheiros de cela”, explica.

O documento prossegue sublinhando que devido à radicalização da quarentena, nas próximas duas semanas, “os familiares se mostraram preocupados pela saúde física e mental dos presos, que sucumbem perante a desídia de um Estado ausente para a população penitenciária”.

Além disso, “muitos presos sobrevivem longe da sua terra natal, o que representa um calvário para os familiares que devem deslocar-se de um Estado a outro, devido ao alto custo do transporte, entre outros”.

“Mesmo morando na mesma cidade, há muitos parentes que não poderão se deslocar às prisões devido às dificuldades próprias do contexto pandêmico e às restrições impostas pelo Governo nacional”, precisa.

Por tal motivo, os familiares questionam o que comerão os presos nas próximas duas semanas de quarenta radical e fazem um chamado às autoridades competentes para que “garantam a alimentação adequada a cada um dos presos” e “evitem mais mortes por fome nos recintos penitenciários”.

Os últimos dados conhecidos dão conta que em setembro de 2020, a Venezuela tinha 37.517 presos nas distintas cadeias, apesar de a capacidade máxima global das prisões ser de 21.938.

Na Venezuela existem 34 estabelecimentos prisionais.

Em 2020 registaram-se, na Venezuela, 135 casos de presos infetados com o novo coronavírus e 2 mortes associadas à covid-19.

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, decretou, domingo, duas semanas de “quarentena radical” até depois da Páscoa, para tentar travar a propagação local da variante do vírus da covid-19 detetada no Brasil.

Na Venezuela, estão oficialmente confirmados 151.123 casos da covid-19, desde o início da pandemia, em março de 2020.

Há ainda 1.493 mortes associadas ao novo coronavírus e 140.758 pessoas recuperaram da doença.

A Venezuela recebeu, em 02 de março, meio milhão de doses de vacinas da farmacêutica estatal chinesa Sinopharm contra a covid-19 e em 13 de fevereiro, recebeu as primeiras 100 mil doses da vacina russa.

Segundo a Academia Nacional de Medicina da Venezuela, o país necessita de 30 milhões de vacinas para imunizar 15 milhões de pessoas, 3,5 milhões de maneira prioritária.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.716.035 mortos no mundo, resultantes de mais de 123 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.