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Novo Banco: Venda da Tranquilidade à Apollo foi "a melhor decisão"

 

“Não tenho sombras de dúvidas: foi a melhor decisão tomada naquelas circunstâncias e naquelas condicionantes. Não tenho a mínima dúvida sobre isso hoje, foi, de facto, a melhor decisão”, disse hoje Vítor Bento aos deputados, durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito sobre as perdas no Novo Banco imputadas ao Fundo de Resolução.

O economista, respondendo ao deputado do PS Miguel Matos, detalhou a sua tese recorrendo à teoria dos jogos, explicando que a Apollo já se encontrava numa fase de oferta vinculativa quando outra interessada, a Liberty, apresentou propostas não vinculativas.

“A proposta da Liberty não era melhor que a da Apollo. Até hoje eu não sei, ninguém soube e nunca ninguém saberá qual era o valor por que a Liberty se propunha comprar a Tranquilidade”, por não ter chegado à fase vinculativa, “num processo em que não tinha direito a participar”, uma vez que a Apollo já levava avanço.

Vítor Bento considera que a “jogada racional da Liberty”, assumindo-se hoje que a Apollo “tinha uma proposta péssima e um potencial de valorização enorme” para a Tranquilidade, seria “transformar a proposta não vinculativa em vinculativa”.

“Isto, em linguagem futebolística, é o equivalente a marcar um penálti no fim do jogo sem guarda-redes na baliza”, considerando por isso, assim, que os atuais “pressupostos não eram válidos naquela altura”.

“A Liberty tinha a mesma certeza que os outros tinham e não se arriscava a converter a sua proposta em vinculativa”, e “do lado de quem decidiu”, havia duas opções em termos de teoria de jogos.

Segundo Vítor Bento, decisor na altura, por um lado havia “abrir a possibilidade da Liberty vir a jogo subsequente com uma probabilidade [do Novo Banco] de vir a ganhar 10 a 15 milhões de euros”, mas uma probabilidade “muito elevada da Apollo desistir do processo por achar que os interlocutores não eram confiáveis”.

Ao desistir, a Liberty “ficava sozinha com uma proposta que não era ainda sequer vinculativa”, sendo que a Tranquilidade “continuava a perder valor”, tendo sobre si “a ameaça dos reguladores” acerca da capitalização da empresa.

“Face a estas duas jogadas, em termos de teoria dos jogos, eu não tenho dúvidas nenhumas de qual é a solução adotável. Por isso é que digo com toda a confiança que naquelas circunstâncias foi a melhor decisão”, reforçou.

Mais tarde na audição foi a vez do deputado Hugo Carneiro (PSD) voltar ao tema, questionando Vítor Bento acerca das pressões do regulador, o Instituto de Seguros de Portugal (ISP), para a venda.

COnsiderando que o ISP via “uma companhia importante no mercado segurador português que está sem capital, sem dono, sem perspetivas, é óbvio que o regulador quer resolver esse problema o mais rapidamente possível”.

Já sobre a opinião da Duff & Phelps, empresa que tinha trabalhado com a Apollo, acerca da ‘fairness opinion’ (opinião sobre razoabilidade do negócio) sobre a Tranquilidade, colocada pelo PSD noutras audições, Vítor Bento disse que essa situação foi “provavelmente” foi considerada.

“Provavelmente terá sido ponderado, não tenho presente todos os pormenores”, acrescentando que relativamente à avaliação que o valor de um ativo “só se conhece verdadeiramente quando há alguém disposto a pagar por ele”.

“Fora isso, vale o que se quiser. Aliás, os brasileiros têm uma expressão que é muito viva, faz parte da cultura brasileira, e é muito elucidativa: em Excel, até a água sobe escada”, rematou.

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