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"Houve uma altura em que já toda a gente sabia mais do que eu"

 

Na comissão eventual de inquérito parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, o deputado do PS Miguel Matos referiu que, numa Assembleia-Geral do Novo Banco, em 08 de setembro de 2014, o Banco de Portugal se recusou a comentar as declarações de Marques Mendes “sobre a venda acelerada do Novo Banco”, questionando Vítor Bento se este acontecimento esteve na base da decisão da sua saída da presidência do banco, pouco mais de um mês de ter assumido a pasta.

“Não tendo presente os passos intermédios, na carta de resposta do senhor governador [Carlos Costa] à minha carta de 20 de agosto, o senhor governador diz que o processo de venda tem que ser iniciado com brevidade e, entretanto, começa a haver notícias por todo o lado sobre isso. Houve uma altura em que praticamente já toda a gente sabia mais do que eu sobre aquilo que se iria passar”, assumiu.

Segundo o antigo presidente do Novo Banco, em 06 de setembro, Marques Mendes “dá os pormenores da venda toda, como é que ela ia ser processada”, o que deixou a administração surpreendida.

“Nós não tínhamos conhecimento de nada daquilo, pelo menos naqueles termos e obviamente nos deixou bastante surpreendidos”, referiu.

Vítor Bento socorreu-se de uma imagem: “Quando se está à frente de uma embarcação não pode haver dois capitães”.

Perante a insistência do deputado do PS sobre quem lhe tinha confirmado que aquilo que o comentador Marques Mendes tinha dito era verdade, o antigo presidente do Novo Banco foi perentório: “Ninguém me confirmou”.

“Por um mero acaso, na segunda-feira seguinte houve uma assembleia-geral do Novo Banco para aprovar a revisão dos estatutos. No final, eu perguntei ao acionista se o que o doutor Marques Mendes tinha dito no sábado anterior se era verdade porque o Conselho de Administração não conhecia aquela informação”, relatou.

Vítor Bento disse aos deputados que a resposta que obteve foi que o “representante do acionista não comentava comentadores”, algo que considerou então razoável como uma “resposta imediata, para quem é apanhado à queima-roupa”.

“O que esperaria é que eu tivesse posteriormente a resposta, que alguém me tivesse dado essa resposta”, referiu, coisa que não aconteceu.

Não tendo presente qualquer contacto do supervisor sobre o tema, o antigo presidente do banco lembrou que isto aconteceu no dia 08 e a decisão interna da administração apresentar a demissão teve lugar no dia 09 ou 10.