Início Mundo EUA. Milhares protestam contra racismo conta asiáticos em várias cidades

EUA. Milhares protestam contra racismo conta asiáticos em várias cidades

 

Em declarações citadas na AFP, Xing Hua, uma cidadã norte-americana de origem asiática, confessou estar “muito zangada” por os ataques de terça-feira não terem ainda sido reconhecidos como atos “racistas” pela polícia.

“O facto é que seis mulheres asiáticas morreram”, disse a jovem, de 30 anos, em Washington, onde várias centenas de manifestantes se reuniram.

Numa declaração à imprensa na terça-feira, o suspeito Robert Aaron Long assumiu ter disparado sobre três casas de massagens asiáticas em Atlanta e nos seus subúrbios, tendo sido acusado de homicídio.

Sob interrogatório, Long – que foi detido a cerca de 250 quilómetros a sul de Atlanta – negou qualquer motivo racista, descrevendo-se a si próprio como um “viciado em sexo” com a intenção de remover “uma tentação”.

“Não sou uma tentação”, lembrou Kat, de 31 anos, no seu cartaz, lamentando a hiper-sexualização das mulheres asiáticas.

“Fui abordada por homens em aplicações de encontros que me dizem ‘Preciso de tratar a minha febre amarela'”, contou esta manifestante.

Em Nova Iorque, o candidato a presidente da câmara e ex-candidato às primárias presidenciais democratas, Andrew Yang, filho de imigrantes oriundos de Taiwan, instou os manifestantes a levantar a mão se tivessem sentido um recrudescimento de atos racistas desde o início da pandemia de covid-19, um vírus a que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, se referiu repetidamente como o “vírus da China”.

Ato contínuo, centenas de mãos levantadas deram uma resposta afirmativa à questão colocada por Andrew Yang.

Os protestos estenderam-se ainda ao Canadá, onde, em Montreal, centenas de pessoas também se manifestaram contra a opressão e racismo contra a minoria de origem asiática.

“Estamos a manifestar-nos contra anos de racismo anti-asiático, fomentado por um presidente branco supremacista nos Estados Unidos, que insistiu em referir-se ao vírus [SARS-CoV-2] como o vírus da China, o que tem encorajado ódio e ataques a todo o tipo de minorias oprimidas”, disse May Chiu, responsável pela organização da marcha, em alusão a Donald Trump.

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