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Presidente moçambicano lembra John Magufuli como pan-africanista

 

“O Presidente Magufuli foi um verdadeiro filho da Tanzânia e de África. Serviu de forma comprometida e com elevado espírito patriótico o seu país e o seu povo. Defensor de valores do pan-africanismo, contribuiu para integração regional e continental”, afirmou Filipe Nyusi, numa mensagem de condolências.

O Presidente da República da Tanzânia, John Magufuli, morreu na quarta-feira aos 61 anos devido a doença cardíaca, segundo informação avançada pela vice-presidente do país, Samia Suluhu, depois de semanas de especulação sobre o seu estado de saúde.

Na sua mensagem, Filipe Nyusi lembra “importantes entendimentos” que alcançou com John Magufuli no domínio da segurança para a região fronteiriça entre Moçambique e a Tanzânia, uma área que tem sido palco de ataques armados protagonizados por grupos classificados como terroristas.

Cabo Delgado, uma das duas províncias moçambicanas que fazem fronteira com a Tanzânia, está sob ataque desde outubro de 2017 e a violência está a provocar uma crise humanitária com mais de duas mil mortes e 670 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos.

Em novembro, Moçambique e Tanzânia assinaram um acordo para troca de informações sobre as incursões de grupos armados naquela região.

“Nós, em Moçambique, sentimos a dor dos nossos irmãos tanzanianos, com os quais choramos preces e pensamentos pela perda irreparável do nosso irmão”, frisou o chefe de Estado moçambicano, acrescentando que espera que, na liderança da vice-presidente da Tanzânia, os dois países continuem a cooperar.

O Conselho de Ministros de Moçambique vai reunir-se na sexta-feira para discutir o falecimento do Presidente da Tanzânia, segundo o chefe de Estado moçambicano.

Além de Filipe Nyusi, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder, lamentou a morte de Magufuli, lembrando a forte ligação histórica do partido com a força política que governa a Tanzânia (Chama cha Mapinduzi), que apoiou a luta dos moçambicanos contra o regime colonial português.

“Os laços de irmandade entre os dois partidos e os dois povos são imensuráveis”, disse hoje o secretário-geral da Frelimo, Roque Silva.

Magufuli, que não aparecia em público desde 27 de fevereiro dando azo a vários rumores sobre a sua saúde, morreu em Dar es Salam, capital económica de Tanzânia, precisou Suhulu.

Reeleito em outubro, Magufuli, apelidado de “bulldozer”, chegou ao poder em 2015, prometendo combater a corrupção.

Há semanas que circulavam rumores sobre a saúde de Magufuli, que davam conta de que teria procurado ajuda médica no estrangeiro, depois de ter sido infetado com o novo coronavírus, de acordo com a oposição no país.

Magufuli era um dos mais proeminentes negacionistas africanos dos efeitos do novo coronavírus, tendo afirmado que a Tanzânia estava “livre” de covid-19, em virtude das orações dos tanzanianos.