Início Mundo Mark Rutte inicia negociações para formar coligação de governo

Mark Rutte inicia negociações para formar coligação de governo

 

Com 88% dos votos contados, o Partido Popular para a Liberdade e a Democracia (VVD) obteve a sua quarta vitória consecutiva nas urnas desde 2010, quando Rutte venceu as legislativas e tornou o partido liberal o maior do parlamento holandês pela primeira vez em quase um século.

Os liberais consideraram esta vitória como um “apoio mostrado pela sociedade holandesa” relativamente à gestão da pandemia por Rutte, que inicialmente optou pelo que chamou de “confinamento inteligente”, não decretando qualquer confinamento nem isolamento social no país.

No entanto, na segunda vaga da covid-19, o Governo introduziu cada vez mais restrições, com o encerramento das atividades não essenciais a partir do Natal, levando a que os holandeses votassem esta semana de máscara e sob imposição de recolhimento obrigatório em casa, obrigação que tem sido alvo de várias manifestações já que a medida não era usada desde a Segunda Guerra Mundial.

As negociações para formar uma coligação governamental deverão decorrer entre o VVD e o segundo grande vencedor das eleições, o partido centrista e pró-europeu D66, liderado pela ex-diplomata Sigrid Kaag, que dançou em cima de uma mesa na noite de quarta-feira, quando as sondagens mostraram que o seu partido estava a conseguir uma de maiores vitórias de todos os tempos.

Além de “legitimar” as decisões de Mark Rutte relativamente à pandemia, as eleições de dia 17 também resultaram num afastamento dos partidos de esquerda e num reforço dos partidos pró-União Europeia.

Os Verdes registaram o pior resultado de sempre nos Países Baixos, perdendo metade dos seus assentos no parlamento e ficando com apenas sete deputados, o que se explica com uma possível transferência de eleitores para o D66, que se tornou porta-voz das questões ecológicas e de identidade, monopolizadas até agora pelos ecologistas.

Também o Partido Socialista (SP) perdeu votos, tendo menos cinco deputados (fica com nove), tal como os social-democratas (PvdA), que foram os únicos parceiros de Rutte entre 2012 e 2017 e ainda sofrem as consequências das severas punições que receberam nas eleições anteriores por apoiar cortes após a crise financeira.

Um outro partido pró-europeu, o Volt, vai entrar, pela primeira vez, no parlamento, tendo conquistado três lugares.

O seu dirigente, Laurens Dassen, explicou que procura uma União Europeia “mais democrática e sem vetos”, que esteja empenhada numa política migratória normalizada e que procure uma rede energética europeia que aproveite as energias renováveis.

Ainda assim, a câmara baixa do parlamento holandês, com 150 lugares, ficará muito fragmentada, passando a ser composta por um recorde de 17 partidos, um cenário que só se verificou em 1918.

A covid-19 e as medidas de restrição impostas para combater os contágios foram a questão central da campanha destas eleições para a câmara baixa do parlamento holandês e as que ocuparam quase todas as discussões durante a campanha dos 37 partidos candidatos.

As eleições nos Países Baixos estão a ser acompanhadas de perto pelos restantes países europeus, não só porque o país é uma das economias mais fortes da União Europeia, mas, sobretudo, porque esta votação constitui um dos primeiros grandes testes eleitorais na Europa desde o início da crise da covid-19.

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