Início Mundo Francesas detidas na Síria "prontas para tudo" para regressarem a França

Francesas detidas na Síria "prontas para tudo" para regressarem a França

 

“Estou pronta a ir até ao fim”, disse Estelle, 31 anos, entrevistada no início de março pela Radio France.

Estelle faz parte de uma dezena de detidas no campo de Roj, nordeste da Síria, em greve de fome há quase três semanas e que pedem o repatriamento para França com os filhos que, entretanto, nasceram em território sírio.

“Nós cometemos o erro” de nos juntarmos ao Estado Islâmico, “mas não tínhamos possibilidades de nos defendermos”, lamenta a mulher, originária dos arredores de Paris.

Detida há mais de três anos e com filhos de 5, 8 e 10 anos de idade, Estelle garante, tal como outras cidadãs francesas detidas no campo, que não participou em atividades criminosas sob o comando do Estado Islâmico.

“Se tenho de ser julgada, que me julguem. Mas como é que vocês querem que provemos a nossa boa-fé se não nos escutam?”, questionou na entrevista transmitida hoje em França.

Ao fim de duas semanas, diz que “só bebe água e um café, de manhã” e que perdeu “quatro quilogramas”.

“É difícil, mas nós estamos determinadas em colocar a nossa vida em perigo para podermos regressar com os nossos filhos”, afirmou.

“Aqui a vida é muito difícil, estamos numa prisão, mas sem visitas”, disse Saida, natural de Herault, França, e que se encontra na Síria desde 2015 para onde viajou para se encontrar com o homem com quem queria casar e que “encontrou” na Internet.

“Eu sei que as pessoas nos detestam, mas há quem se arrependa com sinceridade e tenha saído da ‘camisa de forças jihadista'”, acrescenta Saída, admitindo que alguns detidos em Roj ainda se mantêm marcados “pela ideologia islamita”.  

A detida diz não compreender por que motivo a França se recusa a repatriar e a julgar as mulheres.

“Eu não fiz nada. Eles [os franceses] sabem que não fiz nada. Nem todos somos radicais. Eu nem uso o véu [islâmico], mas somos todas metidas no mesmo ‘saco'”, afirma. 

Cerca de 80 cidadãs francesas e 200 crianças encontram-se detidas nos campos do nordeste da Síria. 

Os advogados e os familiares das detidas dizem que as mulheres só podem ser julgadas em França e lamentam as condições precárias em que se encontram nos campos situados numa zona de grande instabilidade. 

Até ao momento, Paris repatriou apenas crianças – 35 órfãos – mas insiste que os adultos devem ser julgados na Síria. 

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