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CGTP-IN acusa Governo de não salvaguardar empregos da refinaria

 

A secretária-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses — Intersindical Nacional (CGTP-IN), Isabel Camarinha, falava durante uma manifestação de trabalhadores da Petrogal contra o encerramento da refinaria, em Leça da Palmeira, junto à residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento.

A ação de luta juntou cerca de uma centena de pessoas, devidamente distanciadas e com máscaras, segurando tarjas com as inscrições: “A Galpada continua com o roubo de direitos”; “Respeito”; “Petrogal para Portugal, não para o grande capital, para uma vida melhor”.

“Há necessidade desta refinaria, dos produtos que ali são refinados, quer combustíveis, quer outros, para a nossa economia e é necessário salvaguardar os postos de trabalho de 1.500 trabalhadores e os postos de trabalho de um conjunto de empresas que dependem da refinaria”, realçou Isabel Camarinha.

De acordo com a dirigente sindical, o encerramento da refinaria, localizada no distrito do Porto, “vai ter um custo maior” para Portugal, porque “não vai resolver o problema do ambiente”.

“[…] Nós vamos continuar a consumir combustíveis. Vão ser transportados, o que vai poluir também o ambiente e esta refinaria é das que tem mais baixa carga poluidora na Europa, ao contrário das grandes potências, como a Alemanha ou própria Espanha. Têm muito mais refinarias e centrais a carvão e não estão a pensar encerrar já”, salientou.

A líder da Intersindical lembrou ainda que o “Governo não tem feito nada” para reverter a situação, reiterando que o Estado deve preservar os interesses nacionais e os postos de trabalho dos trabalhadores.

“[…] O primeiro-ministro que se comprometeu no dia 02 de fevereiro a receber os trabalhadores ainda não recebeu, passado este tempo todo, tal como o Presidente da República”, frisou.

Por seu turno, Telmo Silva, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente (SITE) do Norte e da comissão de trabalhadores, considerou o processo danoso para o país e para a região do Norte.

“Neste momento, as alternativas que estão a ser dadas aos trabalhadores é o desemprego, são os despedimentos coletivos e isso é inaceitável. Por isso, tem de haver uma intervenção por parte do senhor primeiro-ministro e deixar de fugir como tem fugido desta questão estratégica para o país”, acusou Telmo Silva.

Defendendo a manutenção de todos os postos de trabalho e modernização da refinaria, o responsável afirmou que os “trabalhadores têm demonstrado uma coragem imensa”, porque continuam a trabalhar, mesmo “tendo o desemprego já ali ao lado”.

“A situação que se verifica é rescisão por mútuo acordo ou despedimento coletivo. Estes trabalhadores mereciam mais respeito por parte do senhor primeiro-ministro e Presidente da República. O país vai ficar mais dependente do exterior, porque há uma panóplia de produtos que […] não conseguem ser assegurados no mercado nacional. Vamos ficar dependentes da importação”, explicou.

Segundo Telmo Silva, as unidades industriais vão encerrar o seu processamento no mês de abril, ressalvando que não existe diálogo com o Conselho de Administração da Galp.

“Em abril está tudo parado e os trabalhadores continuam com as vidas em suspenso, sem uma perspetiva de futuro que lhes garanta os seus rendimentos, os seus direitos. A Galp já chamou os trabalhadores e o que está em cima da mesa é despedimento coletivo”, disse.

A Galp anunciou em dezembro de 2020 a intenção de concentrar as suas operações de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar a refinação em Matosinhos, distrito do Porto, este ano.

A decisão põe em causa 500 postos de trabalho diretos e 1.000 indiretos, conforme estimativas dos sindicatos.

Este é já o quarto protesto dos trabalhadores da refinaria que dizem que “vão fazer tudo o que for possível” na defesa daquela unidade industrial.

Depois de um plenário de trabalhadores junto à Câmara Municipal de Matosinhos, em 12 de janeiro, estes manifestaram-se em 02 de fevereiro em frente à sede da Galp e à residência do primeiro-ministro e, em 25 de fevereiro, junto à Câmara Municipal do Porto.

O Estado é um dos acionistas da Galp, com uma participação de 7%, através da Parpública.

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