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Angola alerta contra recolha inconsciente de engenhos explosivos

 

Segundo o chefe das operações da segunda brigada especial de desminagem da Casa de Segurança da Presidência da República, destacada no município do Cubal, subtenente Albertino Lucas Camacoca, alguns desses engenhos foram recolhidos nessas fábricas.

“Conseguimos recolher alguns engenhos explosivos nessas fábricas onde estão a explorar esses ferros ao longo do município de Caimbambo e outros municípios”, referiu Albertino Camacoca, em declarações à rádio pública angolana.

Por sua vez, o responsável de engenhos explosivos não detonados da mesma brigada, aspirante Daniel Chongolola, frisou que quer os adolescentes e as mulheres recolhem tudo o que é ferro que encontram sem distinção.

“As crianças e algumas mamãs só sabem que tudo é ferro, não conseguem definir qual é o ferro perigoso”, salientou.

Por outro lado, na província do Cuando Cubango, as pessoas estão a detonar engenhos explosivos com o objetivo de retirar mercúrio para o comercializar.

O conselheiro do presidente da Comissão Nacional Intersectorial de Desminagem e Ajuda Humanitária (CNIDAH), Adriano Gonçalves, afirmou que não existe mercúrio em projéteis e outros artefactos.

“O mercúrio não faz parte do material explosivo”, referiu Adriano Gonçalves à rádio pública, acrescentando que em 2019 o país registou cerca de 50 vítimas de acidentes no país, a maioria deles por engenhos explosivos não detonados.

“Crianças e mulheres inadvertidamente usavam metais para fins domésticos, para poderem suportar as panelas, para poder vender, etc e tiveram alguns acidentes”, frisou.

O caso mais recente foi registado no município do Rivungo, na fronteira com a Namíbia e a Zâmbia, com a morte de duas pessoas e igual número de feridos graves, na sequência da explosão forçada de um morteiro de 81 milímetros, informou o administrador municipal, Abílio Jornal.

“Encontraram a bomba e fizeram-na explodir com um martelo. A intenção era extrair o mercúrio das bombas e depois ser vendido”, explicou.

Angola tem ainda vastas áreas do território contaminadas por engenhos explosivos, resultado de três fases distintas de conflito armado, de 1961 a 2002.

 

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