Início Mundo Tensão com a China favorece acordo de comércio entre Índia e UE

Tensão com a China favorece acordo de comércio entre Índia e UE

 

“Não é inegável que o tipo de assertividade chinesa, tanto na fronteira da Índia como de forma mais ampla, levou os dois lados a aproximarem-se. E há uma visão, pelo menos em Deli, de que as ações e políticas da China estão a ter um impacto negativo na região do Oceano Índico e que há uma necessidade de potências médias, por exemplo, como a UE e a Índia, se unirem para cooperar”, afirmou, durante um webinar do Instituto Real de Serviços Unidos (RUSI) britânico.

O especialista em questões do sudoeste asiático lembrou, durante um evento dedicado à política externa e de defesa da União Europeia (UE), que chegar a um acordo de comércio com a Índia “tem sido notoriamente difícil” e que “um dos desafios crescentes é o crescente protecionismo dentro da Índia em termos das suas políticas de liberalização de mercado, a imposição de tarifas sobre as importações”. 

“Isso pode dificultar como a UE avança no relacionamento económico. Penso que uma mudança importante que aconteceu no último ano, ano e meio, foi a mudança para um debate geopolítico estratégico mais amplo sobre a relação UE-Índia, que antes era amplamente reservado à economia”, vincou.

A questão dos direitos humanos também poderá ser um obstáculo se os 27 insistirem em confrontar o regime do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, criticado, por exemplo, pela organização não-governamental (ONG) de direitos humanos Human Rights Watch por discriminação contra muçulmanos e repressão a agricultores contra as reformas agrárias que visam a liberalização do mercado.

“Isso pode prejudicar o avanço das relações entre a UE e a Índia. Mas não estou necessariamente convencido de que isso vai acontecer. Eu acredito que será muito mais pragmático e o relacionamento será muito mais focado em algumas realidades geopolíticas”, afirmou Dave.

Portugal estabeleceu como uma das suas prioridades para a presidência rotativa da UE a de diversificar as relações com os parceiros do Indo-Pacífico, nomeadamente com a Índia, através da organização, a 08 de maio no Porto, de uma cimeira informal que irá juntar os líderes dos 27 e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

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