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Reino Unido espera que UE continue a exportar vacinas 

 

O ministro da Saúde, Matt Hancock, explicou durante uma conferência de imprensa que o executivo assinou um “contrato jurídico com a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca para o fornecimento das primeiras 100 milhões de doses [produzidas no país] para pessoas no Reino Unido”. 

“A presidente [da Comissão Europeia, Ursula] Von der Leyen disse que não deve haver restrições à exportação de vacinas por empresas que estejam a cumprir responsabilidades contratuais. E, portanto, o fornecimento de vacinas de unidades de produção da UE para o Reino Unido está de facto a cumprir responsabilidades contratuais, e esperamos plenamente que esses contratos sejam cumpridos”, acrescentou.

A maioria das vacinas da AstraZeneca estão a ser produzidas no Reino Unido, mas o país também está a importar vacinas da Pfizer, produzidas na UE, da qual encomendou 40 milhões de doses. 

A presidente da Comissão Europeia ameaçou hoje endurecer as condições de exportação de vacinas da covid-19 para fora da UE se não houver reciprocidade na entrega de vacinas no bloco.

“Se a situação não mudar, teremos que refletir em como tornar as exportações para países que produzem vacinas dependentes do seu grau de abertura”, disse Von der Leyen.

A dirigente europeia referiu-se especificamente ao Reino Unido, onde dois locais produzem a vacina AstraZeneca, que recentemente admitiu só poderia entregar no primeiro trimestre apenas um terço das doses prometidas aos 27. 

“Ainda estamos à espera de ver doses (da AstraZeneca) chegarem do Reino Unido. Convidamos (Londres) a mostrar-nos que também pode haver vacinas exportadas do Reino Unido para a UE, para que haja reciprocidade”, insistiu.

Segundo dados europeus, Londres obteve nove milhões de doses de unidades de produção europeias entre 01 de fevereiro e 09 de março, cerca de um terço do total de doses administradas aos britânicos naquela data. 

O Reino Unido é o maior mercado de exportação de vacinas produzidas na UE, no entanto, nenhuma dose produzida em solo britânico foi exportada para a UE.

O contrato assinado pela Comissão, que negociou em nome dos 27, com a AstraZeneca previa que as doses destinadas aos europeus viriam de quatro fábricas, incluindo as duas localizadas no Reino Unido, um compromisso que nunca se concretizou, segundo Bruxelas.

Na conferência de imprensa de hoje, Hancock vincou que a vacina foi produzida a partir de investigação na Universidade de Oxford financiada pelo governo do Reino Unido “com dezenas de milhões de libras”. 

“Concebemos a cadeia de produção, não apenas aqui no Reino Unido, mas também ajudamos a configurá-la na UE. Esta vacina é fornecida a preço de custo para todo o mundo”, argumentou.

O Reino Unido é um dos países mais avançados no programa de imunização contra a covid-19, tendo já inoculado mais de 25 milhões com uma primeira dose, quase 40% da população total, contra apenas 10% da população do conjunto da UE vacinada. 

Entretanto, o Governo britânico reconheceu que a disponibilidade de vacinas no Reino Unido vai diminuir “significativamente” nas próximas semanas, mas não atribuiu a questão à disputa com o bloco europeu, do qual saiu formalmente no ano passado. 

“A reserva das vacinas é sempre irregular”, declarou, mantendo que o país continua bem encaminhado e vai ter doses suficientes para imunizar todos os maiores de 50 anos até meados de abril e restantes adultos até fim de julho, além de continuar a dar as segundas doses às pessoas que precisam. 

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