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Pandemia pode ter aumentado mortalidade infantil no sul da Ásia

 

O estudo, encomendado pela Unicef, a agência das Nações Unidas para defesa dos direitos das crianças, refere terem-se registado “reduções drásticas no acesso e uso de serviços essenciais de saúde pública” na Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh, Afeganistão e Sri Lanka, onde vivem, no total, 1,8 mil milhões pessoas.

“O declínio desses serviços essenciais teve um impacto devastador na saúde e nutrição das famílias mais pobres”, afirma o diretor regional da Unicef, George Laryea-Adjei, no relatório.

“É absolutamente vital que esses serviços sejam totalmente restabelecidos para crianças e mães que precisam desesperadamente deles e que tudo seja feito para que as pessoas se sintam seguras quando usam esses serviços”, acrescentou.

Os números são baseados em mudanças reais observadas e na comparação dos valores atuais com dados pré-pandemia do sul da Ásia, onde, só em 2019, morreram 1,4 milhões de crianças com menos de cinco anos, das quais quase dois terços (63%) eram recém-nascidas.

Alguns países da região, como outras partes do mundo, impuseram restrições rígidas para combater a disseminação do coronavírus.

Embora muitas das restrições já tenham sido levantadas, o número de pessoas que utilizam os serviços de saúde diminuiu, detetaram os investigadores da ONU.

No Bangladesh e no Nepal, por exemplo, o número de crianças tratadas por desnutrição aguda grave caiu em mais de 80%, enquanto a vacinação de crianças contra difteria, tétano e tosse convulsa caiu drasticamente na Índia (-35%) e no Paquistão (-65%).

Cerca de 420 milhões de crianças no sul da Ásia foram também privadas de educação devido à covid-19, acrescenta o relatório, que alerta para o facto de nove milhões de crianças correrem o risco de nunca mais voltar à escola.

Por outro lado, divulga a ONU, a pandemia também terá provocado 11.000 mortes maternas e 3,5 milhões de gravidezes indesejadas.

A situação ameaça promover o aumento de casamentos infantis e aumentar em cerca de 400.000 o número de gravidezes de adolescentes, bem como fazer crescer o número de mortes maternas e neonatais ou mesmo provocar uma subida da taxa de crianças com atrasos de desenvolvimento.

 

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