Início Mundo Gregos exigem mais recursos para a saúde em dia recorde de contágios

Gregos exigem mais recursos para a saúde em dia recorde de contágios

 

A manifestação, convocada por diversos sindicatos de médicos e pessoal dos serviços de saúde, e associações de estudantes e de professores, concentrou-se frente ao parlamento de Atenas, na emblemática praça Syntagma, onde milhares de pessoas exigiram um sistema de saúde público eficaz e a requisição forçada das clínicas privadas para o tratamento de doentes com a covid-19.

A Federação de Associações Hospitalares da Grécia (OENGE), uma das principais organizações envolvidas no protesto, criticou o Governo conservador grego por ter encerrado as salas de cirurgias para as tornar em zonas para o novo coronavírus, em vez de abrir novas instalações.

Foi ainda denunciado que estão a forçar médicos de diversas especialidades a tratar doentes com covid-19, e a prescindir de mais contratações.

O Governo argumenta que foram contratados cerca de 10.000 profissionais de saúde durante a pandemia, mas os sindicatos asseguram que, na maioria, são contratos temporários.

Numa referência às clínicas privadas, os manifestantes exigiram a intervenção do Governo para que sejam colocadas à disposição dos doentes infetados.

Até agora foram requisitadas temporariamente duas clínicas privadas em Salónica, e uma outra disponibilizou-se voluntariamente em Atenas.

O ministro da Saúde, Vassilis Kikilias, anunciou hoje que, antes do alarme sanitário, foram disponibilizadas diversas unidades privadas de cuidados intensivos para uso exclusivo de doentes com a covid-19, e recordou ter emitido um apelo aos médicos privados para colaborarem provisoriamente com o sistema de saúde publico.

O ministro acrescentou que caso não se garantam os 200 voluntários solicitados vai pedir nos próximos dias ao primeiro-ministro, Kyriakos Mitsotakis, que imponha uma requisição obrigatória.

Após mais de cinco meses de confinamento, a Grécia atingiu hoje o recorde de contágios diários com 3.465 novos casos, o maior desde o início da pandemia há um ano.

O número de doentes nas unidades de cuidados intensivos também atingiu um novo máximo, com 630 pessoas entubadas.

Ática, região da capital Atenas onde residem 40% dos 10,8 milhões de habitantes do país, regista a situação mais crítica nos hospitais, com uma ocupação de 97%, indicou a agência noticiosa Efe.

Em declarações à cadeia televisiva grega Mega TV, uma pneumologista da unidade de cuidados intensivos (uci) do hospital de Nikaia, um subúrbio de Atenas, referiu existirem mais doentes necessitados de cuidados intensivos que camas disponíveis, com os médicos a tomarem as primeiras decisões de triagem, para decidir a quem se assiste prioritariamente.

Nas últimas horas, segundo o sindicato dos trabalhadores hospitalares, 124 doentes entubados foram internados em salas não especializadas, enquanto foi evacuado um hospital da Cruz Vermelha para passar a ser apenas ocupado por doentes com o novo coronavírus.

Kikilias tentou tranquilizar a população ao assegurar que toda a rede pública hospitalar está disponível para enfrentar a situação, e assinalou que caso existam problemas em alguma instalação serão organizadas transferências de doentes, “se necessário com meios aéreos”, para outra região do país.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.671.720 mortos no mundo, resultantes de mais de 120,6 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.722 pessoas dos 815.570 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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