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Governo do Brasil eleva projeção de inflação para 4,42% este ano

 

O último Boletim Macro fiscal do Ministério da Economia indicou que o reajuste na projeção de inflação se deve, principalmente, à subida dos preços dos alimentos, que no ano passado dispararam quase 20%.

Se essa projeção se confirmar, o Brasil encerraria o ano com uma inflação acima da meta, fixada em 3,75%, embora dentro da margem de tolerância, que é de 1,5 pontos em ambos os sentidos.

Ainda assim, ficaria abaixo da inflação com que encerrou 2020, que foi de 4,52%, a mais elevada desde 2016.

A nova projeção do Governo foi divulgada no mesmo dia em que o Banco Central do Brasil decidirá se altera ou mantém os juros, atualmente no mínimo histórico de 2%.

As recentes pressões inflacionárias podem levar o Comité de Política Monetária do Banco Central a elevar as taxas oficiais pela primeira vez desde 2015, apesar da incidência extremamente elevada da covid-19, que está no seu pico no país sul-americano.

Essa segunda vaga de infeções e mortes pela covid-19, que colocou o país à beira do colapso sanitário, obrigou os executivos estaduais e municipais a, mais uma vez, adotarem rígidas medidas de distanciamento social, com paralisação de diversos setores económicos.

No entanto, o Governo decidiu manter as perspetivas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 3,20% e 2,50% para 2021 e 2022, respetivamente.

O Ministério da Economia afirmou que decidiu não alterar essas percentagens, dada a tendência de “recuperação económica” registada no segundo semestre de 2020.

No entanto, destacou que as projeções apontam para um resultado negativo do PIB no primeiro trimestre, devido às “novas necessidades de isolamento social em várias regiões do país”, embora espere reverter a situação nos próximos meses.

“A incerteza continua bastante elevada” e, nesse sentido, as projeções macroeconómicas dependerão da evolução sanitária da pandemia e da campanha de vacinação, que avança lentamente no Brasil devido à falta de antecipação nas encomendas de doses e atrasos nas entregas.

A economia brasileira caiu 4,1% no ano passado, o pior resultado anual desde 1996, e para 2021, segundo economistas consultados pelo Banco Central, crescerá 3,23%, em linha com a projeção do Governo.

O Brasil alcançou na terça-feira um novo recorde de óbitos, após ter ultrapassado, pela primeira, a barreiras das 2.800 mortes diárias (2.841), segundo dados do Ministério da Saúde brasileiro.

No total, o Brasil concentra 282.127 vítimas mortais desde o início da pandemia e 11.603.535 diagnósticos de covid-19, sendo o segundo país do mundo com mais óbitos e casos positivos.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.671.720 mortos no mundo, resultantes de mais de 120,6 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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