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CTT têm "posição única na oferta de serviços para comércio eletrónico"

 

O comércio eletrónico é uma aposta dos CTT e o gestor aponta que “mais ninguém no país tem uma oferta que vai de A a Z”, como os Correios de Portugal.

“Nós queremos mesmo usar o comércio eletrónico e a oportunidade que nos traz como uma das nossas bandeiras de reposicionamento […], mas também com impacto no nosso negócio, temos uma posição única na oferta de serviços para o comércio eletrónico, estamos presentes em toda a cadeia de valor”, salientou João Bento.

No serviço ‘Criar Lojas Online’, “temos praticamente 1.900 [empresas] registadas, quase 700 a operar, a fazer negócios todos os dias”, salientou o gestor.

No comércio local – que envolve pequenas lojas de artesanato, mercearias, que não estão digitalizadas – o CTT estão a “contratar com os municípios”, que servem para intermediar o apoio a estas empresas.

“Temos aqui 23 municípios [já contratados] e isto está a explodir”, salientou João Bento, afirmando que os CTT são “um verdadeiro agente de digitalização destas empresas”, acompanhando desde o marketing às vendas e dos pagamentos à logística.

“Acreditamos que é claramente um dos nossos atributos identitários novos, vamos querer afirmarmo-nos como o grande ‘shaper’, quem formata e ajudar a desenvolver este mercado e isso começa a ter reflexo”, prosseguiu, salientando que “parte das encomendas” dos CTT atualmente já é gerado daqui.

Para o presidente dos CTT, o digital veio para ficar, pelo que no futuro as feiras – que durante a pandemia covid-19 passaram a ser ‘online’ – no futuro vão passar a ser físicas e virtuais.

“Tivemos a particularidade de ajudar uma população que estaria sem trabalhar durante este ano” devido à pandemia, afirmou, por sua vez, o administrador João Sousa, uma vez que estes empresários, comerciantes, “não eram digitais”.

O ‘marketplace’ Dott, uma parceria com a Sonae, tinha no final do ano passado 1.394 vendedores na plataforma (+160 no quarto trimestre) e contava com cerca de 200 mil utilizadores registados.

Os rendimentos operacionais dos CTT subiram 0,7% no ano passado, face a 2019, para 745,2 milhões de euros, impulsionados pelo segmento expresso e encomendas (+26,6% para 193 milhões de euros) e Banco CTT (+30,5% para 82,1 milhões de euros), o que compensaram a queda do correio.

“Confirma uma estratégia acertada, temos tido uma preocupação antiga de diversificação, a tendência de quebra do correio é inexorável e cada vez mais significativa”, afirmou João Bento, ao comentar os resultados de 2020, nomeadamente a subida dos rendimentos do expresso e encomendas.

“Estamos muito orgulhosos de ter conseguido esta compensação de proveitos e também, em particular, dado o desempenho do quarto trimestre”, que registou um aumento de 45,2% do expresso e encomendas para 61,5 milhões de euros.

“Este é o melhor trimestre desde o princípio de 2016”, ainda por cima “num ano de plena pandemia”, destacou.

O presidente do Banco CTT salientou também o facto do Banco CTT ter registado lucro, pela primeira vez, no ano passado, em cinco anos de operação, como também ter atingido o ‘break-even’ [equilíbrio].

“Foi de facto um ano muito bom para o banco”, considerou João Bento.

Relativamente à evolução do correio, o gestor prevê que este ano possa cair entre 8% a 10%, a um ritmo inferior ao de 2020, se o processo de desconfinamento avançar progressivamente.

“Independentemente desta queda do correio, estamos a tentar reinventar de alguma forma a sustentabilidade do correio para reduzir a queda”, apontou João Sousa, dando o exemplo da entrega pelos correios do Cartão de Cidadão.

“Vamos continuar a ter projetos para reinventar o correio e de alguma forma ajudar que a queda não seja tão agressiva e o projeto de entrega do Cartão de Cidadão é um dos melhores exemplos de reinventar o serviço e ajudar a sociedade”, sublinhou o administrador.

Sobre o negócio em Espanha, cujos rendimentos subiram 39,6% para 72,3 milhões de euros, “o balanço é positivo”, afirmou João Bento.

O gestor explicou que a pandemia levou a uma “aceleração” da transformação do negócio em Espanha – faziam distribuição por franquias, quase nada por meios próprios, e estavam centrados no negócio B2B [empresarial] – para responder ao crescimento do B2C [comércio eletrónico], passando a fazer entregas por meios próprios no mercado espanhol.

Relativamente ao negócio em Moçambique – rendimentos subiram 10,6% para 2,7 milhões de euros -, João Bento salientou que a operação “corre bem e é talvez a mais rentável”.

Já João Sousa destacou que a operação “tem sido uma ferramenta útil para ajudar o país a circular bens neste período difícil”, apontando alguns “constrangimentos” no Norte de Moçambique, mas que no geral “corre bem”.

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