Início Mundo Biden considera "difícil" manter calendário de retirada do Afeganistão

Biden considera "difícil" manter calendário de retirada do Afeganistão

“Pode acontecer, mas é difícil”, disse Biden numa entrevista divulgada hoje pela emissora norte-americana ABC, criticando o acordo feito pelo seu predecessor Donald Trump com os rebeldes afegãos.

“Estou em vias de tomar a decisão sobre a data de partida”, adiantou, precisando que o anúncio da decisão não deve tardar.

Biden disse ainda que estava a consultar os aliados sobre o ritmo da retirada e que se o prazo for alargado não será “muito mais”.

Os Estados Unidos concluíram em fevereiro de 2020 um acordo histórico com os talibãs, que prevê a retirada de todos os soldados norte-americanos do Afeganistão até 01 de maio em troca de garantias de segurança e de negociações diretas inéditas entre os rebeldes e o governo de Cabul.

A data para terminar a guerra mais longa dos Estados Unidos, quase 20 anos de conflito, daqui a seis semanas, não foi aprovada pelo Governo do Afeganistão.

O acordo de Trump para fazer regressar mais de 2.500 militares ainda no país também apanhou desprevenidos os aliados.

Os cerca de 7.000 soldados da NATO no Afeganistão dependem dos Estados Unidos para a logística e apoio ao nível da segurança.

Biden que, como Trump, prometeu acabar com o conflito e trazer os soldados norte-americanos para casa, considerou na entrevista que o referido acordo “não foi negociado de maneira muito sólida”.

E alguns responsáveis norte-americanos temem que uma retirada precipitada permita que o caos volte ao Afeganistão.

A violência aumentou nos últimos meses em todo o país e a administração Biden acusou os talibãs de não respeitarem o acordo de Doha, por serem responsáveis por ataques e por não terem cortado os laços com organizações terroristas como a Al-Qaida.

Os talibãs consideram, ao contrário, que têm cumprido os compromissos, abstendo-se de atacar tropas estrangeiras, e continuam inflexíveis em relação à data de 01 de maio.

Por outro lado, a Rússia vai tentar impor-se como um ator importante no frágil processo de paz afegão, reunindo na quinta-feira em Moscovo representantes talibãs e do Governo de Cabul, além de norte-americanos, paquistaneses e chineses.

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