Início Notícias Artista Tania Bruguera libertada após várias horas de detenção em Havana

Artista Tania Bruguera libertada após várias horas de detenção em Havana

 

“O que aconteceu hoje comigo foi um rapto”, disse Bruguera numa emissão em direto no Facebook, durante a qual também avisou que continuará “a fazer tudo o necessário para que os abusos e a violência política acabem em Cuba” e para que “o direito a ter direitos seja respeitado”.

A artista disse que foi intercetada por agentes de segurança do Estado na rua, forçada a entrar num veículo com matrículas privadas e levada para uma esquadra de polícia onde foi interrogada: “Falaram e falaram, tentando criar divisão, medo e desconfiança entre as pessoas que hoje trabalham para mudar as coisas”, disse.

Bruguera denunciou “o sistema que o governo cubano está a utilizar para assustar as pessoas que estão a fazer o que acreditam que deve ser feito” e assegurou que o que lhe aconteceu hoje e coisas piores “acontecem a muitos cubanos que perdem o seu medo”.

“O que aconteceu hoje não é isolado, é um exercício de poder medíocre, absurdo, que corresponde ao século XX, não ao século XXI. As coisas mudaram, Cuba não é a mesma e você também tem de mudar”, disse, referindo-se ao Governo da ilha.

Bruguera, conhecida pelas suas atuações politicamente motivadas e por ter participado em eventos no Tate Modern em Londres e no Museum of Modern Art (MoMA) em Nova Iorque, tem sido detida em Cuba em numerosas ocasiões.

Ela também faz parte do Movimento 27N, que foi formado depois de mais de 300 figuras culturais e simpatizantes se terem reunido pacificamente em frente ao Ministério da Cultura no dia 27 de novembro do ano passado para exigir liberdade de expressão e criação, bem como o fim do assédio policial aos criadores críticos do Governo.

Artistas, ativistas e jornalistas independentes têm denunciado nos últimos meses um aumento da repressão que inclui vigilância policial, detenções arbitrárias e prisões domiciliárias.

O Governo cubano, entretanto, acusa-os de serem “contra-revolucionários” ao serviço dos Estados Unidos e lançou uma intensa campanha para as desacreditar na imprensa estatal.